Como evitar o provincianismo departamental na empresa

Certos comportamentos minam o espírito de equipe e o respeito mútuo. Profissionais que, evidentemente, são especialistas em sua área de atuação e, portanto, a conhecem com abrangência e profundidade acreditam que os outros departamentos lidam com questões mais simples e menos importantes do que as deles. Já vi profissionais de RH falarem bobagem sobre marketing, analistas financeiros desdenharem de vendedores, engenheiros acharem que dominam administração e mesmo operários julgarem que a gestão da empresa é algo básico. Isso é motivo de muito atrito entre profissionais de departamentos distintos. E causa desrespeito, frustração e animosidade entre pessoas que deveriam trabalhar por um propósito comum.
Por  Silvio Celestino
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Certos comportamentos minam o espírito de equipe e o respeito mútuo.
Profissionais que, evidentemente, são especialistas em sua área de atuação e, portanto, a conhecem com abrangência e profundidade acreditam que os outros departamentos lidam com questões mais simples e menos importantes do que as deles. Já vi profissionais de RH falarem bobagem sobre marketing, analistas financeiros desdenharem de vendedores, engenheiros acharem que dominam administração e mesmo operários julgarem que a gestão da empresa é algo básico. Isso é motivo de muito atrito entre profissionais de departamentos distintos. E causa desrespeito, frustração e animosidade entre pessoas que deveriam trabalhar por um propósito comum.
Alguém que critica outra área sem conhecer suas agruras é como um paulistano querer opinar sobre um problema de Manaus somente com sua experiência, que se resume ao que vê na internet e na TV, sem nunca ter estado lá, lido sua história e compreendido sua cultura. É, evidentemente, uma visão provinciana.
Nas empresas, isso ocorre tanto entre departamentos quanto entre níveis hierárquicos. Também há o mesmo fenômeno relacionado à idade. Isto é, alguém de 25 anos fazer uma ação que, para sua geração, é algo comum, mas ofende quem tem 40, 60, ou mais anos de idade. Isso não seria um grande problema, exceto pelo fato de essas pessoas, provavelmente, serem os administradores mais elevados em sua empresa e, com frequência, em seus clientes. E se eles tiverem uma opinião ruim a seu respeito sua carreira não sairá do lugar. Pior ainda, se seu ato prejudicar uma venda.
A causa disso é que somos muito pouco incentivados a buscar conhecimento profundo e muito encorajados a ter uma visão crítica. Desse modo, tudo parece simples de ser feito e aprendido, principalmente se pode ser pesquisado e localizado na internet.
Entretanto, nossos problemas não se resumem em como fazer as coisas – embora, muitas pessoas pensem que seja só isso. Mas em sabermos por que elas devem ser feitas e, portanto, as implicações de questões como compliance, segurança, melhores práticas, legislação e moralidade.
Ter uma visão crítica sem conhecimento profundo é como querer iluminar uma sala com muitos fósforos, mas uma única vela. Em pouco tempo a vela termina. Então, você acende um fósforo atrás do outro e, como resultado, fica com pouca luz, por poucos instantes e queimando os dedos frequentemente.
Portanto, se nós, principalmente os líderes, desejarmos transformar positivamente o clima organizacional e criar melhores condições de sinergia, temos de incentivar o time a compreender o porquê da existência da empresa. Ou seja, entender primeiro com profundidade o negócio da companhia e onde se encaixa cada departamento nesse todo.
Um modo sensato e recomendável de fazer isso é conversar periodicamente com profissionais de outras áreas, principalmente aquelas que são suas fornecedoras ou clientes internos, e procurar paulatinamente compreender cada vez mais seus desafios.
Afinal, o importante não é vermos somente até o horizonte de nossas responsabilidades departamentais. Mas ir além, e ver como estamos impactando nossos clientes, outros setores e os resultados da empresa como um todo.
Vamos em frente!

Silvio Celestino É coach de gerentes, diretores e CEOs desde 2002. Também atende a executivos que desejam assumir esses cargos. Possui certificação e experiência internacional em coaching. Foi executivo sênior de empresas nacionais e multinacionais na área de Tecnologia da Informação. Empreendedor desde 1994.

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