Arroz e feijão, a gente paga, o peixe sai de graça

Nesse carnaval, eu conversava com o motorista de táxi em uma cidade do litoral alagoano, que me dizia já ter morado em São Paulo. Mas que achou muito difícil, principalmente devido ao elevado custo de vida."Aqui, eu trabalho para comprar o arroz e o feijão. O peixe, a gente pesca (o mar dá de graça)", explicava ele.Na verdade, no decorrer de nosso diálogo, descobri que ele fizera muito mais que isso. Conseguiu fazer com que um de seus filhos se formasse na faculdade. O outro, infelizmente, não quis estudar.Essa conversa me fez refletir sobre muitas pessoas que veem sua carreira apenas como um meio de sobrevivência.

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Nesse carnaval, eu conversava com o motorista de táxi em uma cidade do litoral alagoano, que me dizia já ter morado em São Paulo. Mas que achou muito difícil, principalmente devido ao elevado custo de vida.

“Aqui, eu trabalho para comprar o arroz e o feijão. O peixe, a gente pesca (o mar dá de graça)”, explicava ele.

Na verdade, no decorrer de nosso diálogo, descobri que ele fizera muito mais que isso. Conseguiu fazer com que um de seus filhos se formasse na faculdade. O outro, infelizmente, não quis estudar.

Essa conversa me fez refletir sobre muitas pessoas que veem sua carreira apenas como um meio de sobrevivência.

Penso que, assim como o governo, que não tem um plano de progresso para o Brasil, alguns profissionais também não têm um para si mesmos. Desejam apenas o suficiente para ter uma vida digna, cuidar dos filhos e sobreviver.

Não há nada de errado com essas metas, exceto que, devido à inflação, não existe um ponto de chegada para uma renda mensal que assegure uma vida digna. Ou seja, se a pessoa não progride em sua profissão, ou não investe para ter outras fontes de renda, seu padrão de vida tende a cair ao longo do tempo.

A questão é que os indivíduos acreditam, em certo ponto de sua carreira, que “chegaram lá” e que agora só precisam manter as coisas como estão. Esquecem que a empresa que lhes dá o emprego está em uma luta de vida ou morte com seus competidores. Também ignoram que uma nova tecnologia pode tornar seu trabalho dispensável. E não acompanham de perto o que vai pelo mundo em termos políticos e econômicos.

Assim, de repente, tudo se transforma: sua empresa é comprada pela concorrente. Uma nova lei destrói os planos da companhia que o emprega. Uma tecnologia torna seu trabalho dispensável. Ou um colega de profissão toma seu lugar por apresentar maior competência, por ser mais político ou, o que é terrível, ser alguém sem escrúpulos e que puxa seu tapete.

Uma carreira não pode ser pensada com foco no ponto mais alto possível a ser alcançado. Mas, em como vai gerar renda para toda a vida do profissional.

Isso significa que o ponto mais alto não é igual ao cargo mais elevado que você pode conseguir. Mas em como ser independente financeiramente. E ter renda, além do emprego, é o grande desafio.

Para tanto, você tem de compreender que deve estar sempre progredindo, buscando novos desafios, cargos maiores e aprender sempre. Ter grande preocupação em comparar suas competências com o que é solicitado pelo futuro da empresa. Não basta ter o que é necessário para o presente da companhia, mas para o amanhã, principalmente. E ficar atento às pessoas à sua volta, especialmente as de má índole, que podem causar danos severos à sua carreira.

Além disso, o indivíduo deve observar, pela leitura diária das notícias, o que vai pelo mundo, com especial atenção às leis que regem seu setor de atuação e sua profissão. Ver se o noticiário fala de uma crise mundial, no País ou em seu mercado. Ou, por outro lado, se indica uma fase de grande expansão favorável à sua carreira.

É natural focar a sobrevivência no início da profissão. Mas, se você fizer somente isso do meio para o fim, terá sérios problemas na aposentadoria. Você precisa pensar em seu progresso em bases permanentes.

Matthew McConaughey, ao receber o Oscar 2014 de melhor ator, deu uma lição preciosa nesse sentido. Disse, em seu discurso de agradecimento:

“Quando eu tinha 15 anos, um homem me perguntou qual era o meu herói. E eu respondi: ‘Sou eu, daqui a dez anos.’ Quando fiz 25, esse mesmo homem me perguntou se eu já era o meu próprio herói. E eu disse: ‘Não, serei meu herói aos 35’. O meu herói é quem eu persigo todos os dias. O meu herói sou eu sempre, dez anos para frente.”

Faça o mesmo por sua carreira e sua vida: que seu herói seja você mesmo, dez anos para frente!

Silvio Celestino

É coach de gerentes, diretores e CEOs desde 2002. Também atende a executivos que desejam assumir esses cargos. Possui certificação e experiência internacional em coaching. Foi executivo sênior de empresas nacionais e multinacionais na área de Tecnologia da Informação. Empreendedor desde 1994.