Porto Seguro e Itaú divulgam balanços do terceiro trimestre

Resultados acompanham a tendência do setor, com queda do lucro, pressionado pelo aumento de pedidos de indenizações

Denise Bueno

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A semana começa com dois balanços financeiros de peso no mercado de seguros. Temos a Itaú Seguridade, com dados incluídos no balanço do Banco Itaú e também a divulgação dos dados financeiros da seguradora Porto Seguro, da qual o Itaú detém 30% da holding de seguros de carro e residência.

Os resultados de ambos vieram em linha com o cenário do mercado segurador, que se reinventa para manter as vendas em alta diante do desemprego e da queda de renda. Também se esforçam para manter a rentabilidade com o avanço dos custos diante da elevada inflação e dos pedidos de indenizações que costumam crescer em momentos de economia conturbada.

A Porto Seguro registrou lucro líquido de R$ 205 milhões no terceiro trimestre deste ano, correspondendo a um decréscimo de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, o lucro líquido atingiu R$ 620 milhões, redução de 13% sobre janeiro a setembro de 2015. O ROAE atingiu 13,5% no terceiro trimestre e 13,9% no acumulado de nove meses. Considerando-se um ganho não recorrente no valor líquido de R$ 28 milhões, o lucro do trimestre aumentaria em 13% e o lucro acumulado do ano seria 10% menor, segundo informa o balanço.

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Um dado interessante na Porto Seguro é que os executivos têm obtido sucesso na batalha em driblar a crise. Uma das estratégias é reduzir o peso do seguro de carro no mix de produtos, a partir do aumento da venda de seguros mais rentáveis como de pessoas, patrimonial e de previdência, que cresceram 23,5%, 19,1% e 15,4%, respectivamente, no comparativo trimestral.

Automóvel representava 67,2% do mix em setembro do ano passado e agora passou para 65,9%. Com a queda das vendas de carros novos, que representam cerca de 80% dos itens segurados, é preciso se reinventar para manter o crescimento. Tal cenário ainda deve prevalecer em 2017, segundo declarações recentes da Anfavea. As vendas do seguro de carro em todo o mercado declinou 3% até agosto, segundo dados da CNseg, a confederação das seguradoras. Na Porto Seguro, a maior do Brasil no segmento, o crescimento no trimestre foi de 3,2%.

Outro dado positivo do balanço da Porto Seguro foi baixar o índice combinado, que mede a eficiência da operação (quanto mais abaixo de 100% melhor), de 100,1% do segundo trimestre do ano para 97,9% no terceiro trimestre. Mas se comparado ao terceiro trimestre de 2015, o IC piorou 1,6 ponto percentual.

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Segundo informou a companhia, houve um aumento de pedido de pagamentos de indenizações por conta de roubos de veículos, agravado pela crise financeira em alguns Estados, que reduziram investimento em segurança. Além disso, a elevação da frequência de utilização do seguro saúde também impactou a sinistralidade. Por outro lado, o índice de despesas administrativas de seguros recuou em 1,1 ponto percentual, sendo que os gastos nominais decresceram 3% no trimestre e cresceram menos de 1% no ano, resultado da melhora na eficiência operacional.

O grupo também tem conseguido bons resultados com as empresas fora do grupo de seguros. As receitas das empresas financeiras e de serviços cresceram 11% no trimestre, associadas ao aumento das vendas do produto de telefonia móvel da Conecta e dos produtos de cartão de crédito e financiamento, que retomaram o crescimento com aumento da lucratividade.

Itaú Seguridade – O braço de seguros do banco Itaú contribuiu com 12,2%, ou R$ 647 milhões, para o lucro líquido recorrente de R$ 5,5 bilhões divulgados pelo banco nesta manhã. O banco também ressaltou que o lucro liquido da Itaú Seguridade foi 4,2% menor em relação ao trimestre anterior, devido principalmente ao aumento dos sinistros, parcialmente compensados pelo incremento de prêmios ganhos.

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O segmento de seguros representou R$ 360 milhões do ganho no terceiro trimestre, previdência R$ 218 milhões e capitalização R$ 69 milhões. As demais atividades de seguros correspondem aos produtos de garantia estendida, saúde, a participação no IRB Brasil RE e outros registraram lucro recorrente de R$ 36 milhões, redução de 31,3% em relação ao trimestre anterior, devido aos menores prêmios ganhos, parcialmente compensados pela redução dos sinistros e despesas de comercialização, pela rescisão antecipada do contrato de garantia estendida entre Itaú Seguros e Via Varejo, ocorrida no terceiro trimestre de 2014.

O índice combinado, que indica a participação das despesas decorrentes da operação em relação à receita de prêmios ganhos, atingiu 59,8% no período, apresentando aumento de 3,4 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, principalmente em função do aumento dos sinistros e do aumento de despesas não decorrentes de juros.

O Itaú tem apostado na venda digital. A comercialização de seguros e capitalização nos canais como bankline, internet, mobile, caixa eletrônico, terminal de caixa e bankfone, representaram 53,2% das vendas a correntistas no trimestre, aumento de 6 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. A comercialização de capitalização nesses canais representou 78,5% do total comercializado no período. O valor das vendas de seguros e capitalização a clientes das Agências Digitais representou 11,2% das vendas totais no terceiro trimestre de 2016, aumento de 2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior.

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Denise Bueno

Jornalista especializada em seguros, resseguros, previdência e capitalização, é fundadora do blog Sonho Seguro