Crise afeta crescimento das vendas e catástrofes pressionam lucro

Enquanto o desemprego afeta o resultado das seguradoras no Brasil, as catástrofes naturais pressionam a rentabilidade das estrangeiras

Denise Bueno

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Safra de balanços das seguradoras no Brasil e no mundo. A crise econômica no Brasil afeta os balanços locais, enquanto as catástrofes naturais impactam o ganho das seguradoras mundiais.O furacão Matthew, que devastou o Haiti em outubro e segui forte para a costa dos Estados Unidos, poderá custar para as re/seguradoras algo próximo a US$ 8,8 bilhões, de acordo com a empresa especialista em calcular danos AIR Worldwide. O intervalo de custo de indenizações está entre US$ 2,2 bilhões e US$ 6,8 bilhões para segurados com perdas nos Estados Unidos, e entre US$ 600 milhões e US$ 2 bilhões para as ilhas do Caribe.

O destaque nacional ficou por conta da BB Seguridade nesta segunda-feira. Na quarta-feira, a expectativa é com os resultados do grupo Bradesco Seguros. A holding que controla das empresas de seguros do Banco do Brasil atingiu lucro líquido de R$ 3 bilhões no acumulado de janeiro a setembro deste ano, aumento de 3,4% em relação ao lucro líquido ajustado do mesmo período de 2015. O desempenho é justificado tanto pelo crescimento de R$ 37,9 milhões do resultado operacional não decorrente de juros combinado, quanto pela expansão de R$ 63 milhões do resultado financeiro combinado, ambos líquidos de efeitos tributários. No terceiro trimestre, o lucro líquido foi de R$ 987,93 milhões, recuo de 4% em relação ao mesmo período do ano passado.

O lucro ficou 0,6 ponto percentual abaixo do piso do intervalo revisado do Guidance 2016. As principais justificativas para esse desvio estão relacionadas à piora nos índices de sinistralidade da BB Mapfre SH1, concentrada nos segmentos prestamista e rural; da Mapfre BB SH2, em função da deterioração nos segmentos de automóvel e de danos; e do IRB Brasil-RE. Outra razão citada foi a greve dos bancários, que se estendeu por todo o mês de setembro, impactando as vendas esperadas para o período, enquanto no exercício de 2015 a paralisação ocorreu no mês de outubro e teve menor duração.

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A AXA, maior seguradora da Europa, divulgou na última sexta-feira faturamento de 75,7 bilhões de euros de janeiro a setembro deste ano, alta de apenas 0,4% em comparação a mesmo período do ano passado. Thomas Buber, CEO da AXA, destacou na teleconferência com analistas que os resultados mostram a disciplina do grupo em subscrever riscos e assim manter o resultado em linha com o Plano 2020, que visa crescer sem sacrificar a rentabilidade. No terceiro trimestre, a AXA foi reconhecida como a marca líder global de seguros pelo oitavo ano consecutivo e juntou-se às três principais marcas de serviços financeiros globais.

A Liberty Mutual divulgou lucro líquido de US$ 455 milhões no terceiro trimestre deste ano, comparado a uma perda de US$ 427 milhões divulgado em mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, até setembro, o lucro liquido foi de US$ 863 milhões, bem acima dos US$ 103 milhões do mesmo período de 2015. “Estamos satisfeitos com o lucro líquido de US $ 455 milhões no terceiro trimestre deste ano, em comparação com uma perda de U$ 427 milhões no mesmo período do ano passado”, disse David H. Long, presidente e CEO da Liberty Mutual Insurance.

“Cada uma das unidades de negócios estratégicas da Liberty Mutual apresentou crescimento melhor do que o esperado no trimestre, com o prêmio líquido avançando em 6%, para US$ 9,3 bilhões. Nosso desempenho subjacente manteve-se forte, uma vez que nosso índice combinado de núcleo melhorou cerca de um ponto no trimestre, apesar do contínuo aumento nas tendências de perda do segmento de responsabilidade civil na carteira automóvel nos EUA “, explicou aos analistas participantes da teleconferência realizada na última sexta-feira.

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O grupo Argo, sediado nas Bahamas, divulgou lucro de US$ 113 milhões de janeiro a setembro deste ano, pouco abaixo dos US$ 122 milhões do mesmo período do ano anterior. Os prêmios brutos totalizaram US$ 1,6 bilhão, 6,4% acima dos US$ 1,57 bilhão do mesmo período do ano anterior. “Continuamos fazendo investimentos em tecnologia para as operações digitais, com retorno positive estimado para os próximos trimestres”, disse o CEO Mark Watson, em teleconferência com analistas.

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Denise Bueno

Jornalista especializada em seguros, resseguros, previdência e capitalização, é fundadora do blog Sonho Seguro