Será que o fundo do poço do setor siderúrgico ficou para trás?

Estamos passando pela pior crise econômica vivida pelo setor industrial, acreditamos que estamos sim no fundo do poço, mas 2017 poderemos ver até crescimento do setor

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Seguindo as Oportunidades de Investimentos – Vamos de setor siderúrgico, para ser mais sincero, vamos de Gerdau (GGBR4), momento interessante, porém, ativo para investidores com perfil mais agressivo. Vale ressaltar que a entrada deve ser via estruturados, devido às incertezas. Abaixo o racional:

Setor Siderúrgico – Será que passamos do Fundo do Poço?
Estamos passando pela pior crise econômica vivida pelo setor industrial, acreditamos que estamos sim no fundo do poço e que em 2017 poderemos ver um ano de estabilidade/crescimento do setor siderúrgico.

O próprio setor da construção civil, que vem sofrendo com a queda de investimentos e dos níveis de emprego. O próprio setor de construção, defende uma maior formalidade no mercado de trabalho, em conjunto com essa medida, a abertura do mercado de concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), com a maior participação de mais empresas. Vale o destaque aqui sobre a frase do presidente interino, Michel Temer, “privatizem tudo”, passando por portos, aeroportos, rodovias e ferrovias.

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Parque Industrial
O Brasil tem o maior parque industrial de aço da América do Sul, composto por 29 usinas, administradas por 11 grupos empresarias. Com uma capacidade instalada de 48,9 MM de tons/aço bruto por ano e com uma produção (2015) de 33,3 MM de tons, sendo o 11º exportador mundial de aço e o 6º maior exportador líquido de aço.

Produção Brasileira – Melhorando no mês de junho
Em junho de 2016, a produção brasileira de aço bruto foi de 2,5 MM de tons, queda de 8,5% na comparação anual. Em relação aos laminados, a produção de 1,8 MM de tons em junho, redução de 4,1% na comparação anual.

Com esses resultados, a produção acumulada em 2016 totalizou 14,9 MM de tons de aço bruto e 10,2 MM de toneladas de laminados, redução de 13% e 14,7%, respectivamente, sobre o mesmo período de 2015. Ou seja, em junho tivemos uma queda menor na comparação anual do que no acumulado do ano, demonstrando uma melhora na produção, que destacaremos mais abaixo.

Consumo melhorando em junho
O consumo aparente nacional foi de 1,6 MM de toneladas de produtos siderúrgicos em junho de 2016, retração de 12% sobre o registrado no mesmo mês do ano anterior.

No acumulado do ano até junho, o consumo aparente foi de 9 MM de tons, 23,7% menor do que em 2015.

Outro dado que demonstra uma melhora quando analisamos o mês de junho de 2016 com o acumulado do 1S16.

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Vendas – Melhoraram em junho de 2016
As vendas de produtos siderúrgicos em junho de 2016 foi de 1,5 MM de toneladas, aumento de 0,7% na comparação anual.

As vendas acumuladas no 1S16 caíram 15,5% na comparação com o 1S15, totalizaram 8,2 MM de tons.

Mais um dado que corrobora a melhora, pois o mês de junho apresentou crescimento de 0,7% com junho de 2015, enquanto que no semestre, as vendas acumuladas apresentam retração de 15,5%.

Comércio Exterior
As importações de produtos siderúrgicos apresentaram queda de 72% em junho/16 em relação a junho/2015, totalizando 92 mil toneladas, o que equivale a US$ 104 MM.

As exportações em junho de 2016 atingiram 1,2 MM tons, correspondendo a US$ 534 MM.

Esse resultado representa uma queda de 0,1% em volume e de 6,5% em valor, quando comparadas a junho de 2015.

Produção Siderúrgica Brasileira

Exportações – USINAS – se recuperando. Apesar dos preços mais baixos.

Vendas Mercado Interno de Longos – Mostrando recuperação no mês de junho, na comparação anual.

Razões para ter Gerdau (GGBR4):

a) Valuation Atrativo – Negociando a 6,1x EV/Ebitda 2017E, acreditamos numa correção com revisão de projeções de lucro e Ebitda para o ano de 2017.

Abaixo o gráfico do EV/Ebitda de Gerdau. Acreditamos que a ação poderia atingir 7,5x EV/Ebitda, o que representa um upside de 23% dos patamares atuais:

b) Revisões de resultados para cima – Como acreditamos que o pior já passou e teremos programas de infraestrutura, com a licitações de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, todos que demandam ações longos. Acreditamos que ocorra uma melhora em aços longos e nesse caso Gerdau. Aliado a isso, as usinas estão trabalhando com uma grande ociosidade e uma melhora nas vendas, diluirá custos de produção, melhorando a margem operacional da companhia e seus resultados;

c) Melhora política – Como citado anteriormente, acreditamos na frase do presidente interino, Michel Temer, “privatizem tudo”. Acreditamos que as licitações em infraestrutura ocorrerão. E nesse sentido, a demanda por aços longos se ampliará, com portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, utilização de aço;

d) Melhora econômica – A melhora política traz uma melhora econômica, com o avanço da confiança dos empresários e consumidores, destrava a economia, os agentes financeiros voltam a conceder crédito, a população, mesmo que numa velocidade lenta, volta a consumir e o crescimento econômico deverá ser na casa de 1% em 2017.

Riscos para nossa tese:

a) Operação Zelotes – A empresa aparece sendo citada em alguns depoimentos;

b) Piora no cenário econômico, tanto no Brasil quanto nos EUA, com menor crescimento econômico, tanto aqui no Brasil quanto nos EUA; e

c) Dólar mais baixo – O risco do fluxo de capital estrangeiro para o Brasil e um dólar mais fraco, abaixo de R$ 3,00, poderia sim prejudicar o setor como um todo, devido aos preços no mercado doméstico, prejudicando as exportações e aumentando as importações. Porém, nesse caso, acreditamos que o dólar deve apresentar uma queda no curto prazo, devido a entrada de capital estrangeiro, porém, a tendência é de elevação no médio prazo.

Em suma, acreditamos que Gerdau é um ativo interessante para se ter em carteira, nossa preferência é via produtos estruturados, devido ao cenário ainda desafiador para o setor e o ativo em questão, mas acreditamos que o momento é oportuno para ter exposição ao mesmo, com melhora econômica, política e valuation atrativo.

Celson Placido