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Ao longo da minha jornada no universo do wellness, percebi que existe uma distância entre o que as pessoas fazem para “cuidar do corpo” e o que realmente as faz se sentir bem. Durante muito tempo, tratamos o bem-estar como uma lista de tarefas: treinar, comer melhor, meditar e dormir. Tudo isso funciona, mas existe uma camada mais profunda que sempre me chamou atenção: a forma como os sentidos influenciam diretamente o nosso estado físico, mental e emocional.
Com o tempo, comecei a enxergar o wellness sensorial como uma evolução natural desse entendimento. É quando deixamos de olhar para o cuidado como hábito e passamos a vê-lo como experiência. E toda experiência, para ser transformadora, é essencialmente sensorial. Isso tem ganhado força agora porque vivemos em um ritmo que rouba a nossa capacidade de perceber. Estamos hiperconectados e, paradoxalmente, desconectados de nós mesmos. Por isso as experiências imersivas estão crescendo tanto: elas devolvem presença. E presença, hoje, é quase um luxo.
Na Les Cinq, essa visão sempre esteve presente na concepção dos espaços. Para mim, a experiência começa antes do treino. Quando alguém cruza a porta e já percebe a luz num tom que acolhe, a temperatura certa, o aroma que guia a atenção, algo muda internamente. A partir daí, o treino deixa de ser um compromisso e vira um encontro consigo mesmo. E quando observo outras experiências, som, ambientes com luzes dinâmicas, massagens, práticas que combinam frequência e respiração, vejo a mesma lógica se repetir: os sentidos são a porta de entrada para um bem-estar profundo e não racional.
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Esse tipo de abordagem me inspira porque devolve algo essencial que é a sensibilidade dos nossos sentidos e conexão com nós mesmos. E, quando estamos conectados, fazemos escolhas melhores, descansamos de verdade, treinamos com consciência, comemos com intenção e nos relacionamos com o próprio corpo de forma mais gentil e inteligente. No fim, wellness sensorial não é sobre criar experiências complexas. É sobre criar condições para que a pessoa volte para si. Quando o ambiente conduz, o corpo relaxa. Quando os sentidos são ativados, a mente desarma. E quando isso acontece, o cuidado deixa de ser algo que “precisamos fazer” e se torna algo que naturalmente nos atravessa.
Acredito que esse é o caminho do wellness contemporâneo: menos sobre fazer e mais sobre sentir. Menos sobre metas e mais sobre presença. Menos sobre performance e mais sobre experiência. E, se existe algo capaz de transformar a forma como cuidamos de nós mesmos, são os sentidos , e tudo o que permitimos que eles despertam dentro de nós.