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O que começou como uma corrida estética pelo “corpo perfeito” virou algo muito maior: um reencontro real com a saúde. No olho do furacão estão os emagrecedores, como o Ozempic e o Mounjaro. Para quem olha de fora, podem parecer apenas remédios, mas eles se tornaram os novos protagonistas da indústria do bem-estar, segundo a Projeção da Research Dive, empresa de pesquisa de mercado, sediada em Pune, na Índia, aponta que o segmento wellness deve movimentar surreais 6,5 trilhões de dólares até o final de 2026.
Com a queda da patente da semaglutida (substância usada nesses medicamentos), anunciada recentemente, a exclusividade da Novo Nordisk chegou ao fim, abrindo caminho para os primeiros ‘Ozempics brasileiros’ (os biossimilares). O que isso significa na prática? Mais acesso, preços competitivos e uma enxurrada de novas pessoas iniciando o tratamento.
Se antes esses medicamentos eram restritos a um grupo pequeno, agora eles se tornam um fenômeno de massa. Para nós, no setor fitness, isso acende um alerta: com mais gente usando as ‘canetas’, a nossa responsabilidade técnica dobra. Não se trata mais apenas de estética, mas de saúde pública e de garantir que esse novo público não perca saúde enquanto tenta perder peso
Eu sei, ainda existe muito debate e poucos estudos sobre os prós e contras desses injetáveis, mas se você achou que o mundo fitness veria esses medicamentos como inimigos, pensou errado. Pelo menos para quem está atento ao mercado. Em vez de lutar contra a tendência, nós transformamos o que parecia um conflito em um movimento positivo e técnico.
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Na Les Cinq Gym, por exemplo, decidimos sair na frente. Fomos pioneiros ao desenhar protocolos de treino específicos para quem está fazendo uso dessas substâncias. Por quê? Porque não basta utilizar medicamentos sem estratégia; é preciso preservar a estrutura do corpo.
Não é sobre “esmagar”, é sobre blindar
Usar os medicamentos exige um ajuste fino na prescrição do exercício. O risco aqui é real: se não houver estratégia, o aluno sofre com quedas bruscas de energia e, pior, perde massa magra (o famoso catabolismo). Em um cenário de alto déficit calórico, o meu papel é garantir que o treino seja protetor.
Minha regra de ouro para quem está nesse processo é o equilíbrio:
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- Cardio estratégico: nada de intensidades absurdas. Mantemos a frequência cardíaca entre 50% e 70% do máximo para preservar o fôlego e a musculatura.
- Musculação inteligente: Esqueça o “treinar até a falha”. O foco agora são exercícios multiarticulares, com cargas moderadas (entre 40% e 60% da capacidade) e um volume de 12 a 20 repetições.
O objetivo não é apenas ver o número na balança cair, mas garantir que o corpo que sobra seja forte, funcional e saudável. O medicamento abre a porta, mas é o treino inteligente que mantém você lá dentro.
No fim do dia, para além dos trilhões de dólares e das estratégias de treino, o que realmente importa é o impacto na vida de quem luta contra a obesidade, uma doença complexa e, muitas vezes, solitária. Esse movimento de integração entre medicina e fitness não é sobre estética vazia, mas sobre oferecer ferramentas reais e dignas para quem precisa retomar o controle da própria saúde.