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Antes a gente ligava a TV e acompanhava a Copa. Agora acompanhamos a Copa junto de uma escolha. E essa escolha reflete nossas crenças, nossas torcidas, nossas posições no mundo.
A torcida não é mais pelos times só. A torcida é também pelas emissoras.
Um estudo da Timelens durante a fase de grupos da Copa de 2026 mapeou 290,5 mil menções sobre as transmissões nas redes sociais. Os números revelam que essa mudança não é impressão. É fato. Globo com 45%, Cazé TV com 41%, SBT com 14%.
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Esses percentuais descrevem mais do que audiência. O Brasil se fragmentou em três públicos distintos, cada um defendendo não apenas uma emissora, mas uma forma de entender o que é transmissão, o que é autenticidade, o que é jornalismo esportivo.
A rivalidade entre Cazé TV e Globo representa 9,3% de todas as menções sobre a Copa. Significa que uma em cada dez conversas nas redes sociais compara as duas emissoras.
E veja: não é “debate”. É confronto. Quem escolhe Cazé TV escolhe linguagem descontraída, transmissão sem intermediários corporativos, liberdade de expressão.
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Quem escolhe Globo escolhe tradição, mas também escolhe se incomodar com bets (não que a emissora também não tenha, mas o assunto caiu no colo da Cazé), com delay, com a tentativa da emissora de se reinventar.
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Direitos de transmissão e audiência aparecem em 11,9% das menções, o público sabe que há disputa comercial em curso e a menciona explicitamente. Sabe que está sendo disputado.
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Cada emissora representa um estilo
A equipe de transmissão lidera com 25,4% das menções. Os nomes importam porque cada emissora escalou apresentadores que representam uma posição editorial. Casimiro, na Cazé, atinge 64% de aprovação. Galvão Bueno, no SBT, também 64%. Romário, na Cazé, colhe 83% de rejeição.
Virgínia Fonseca, na Globo, enfrenta 75% de rejeição. Essas polarizações não falam apenas de competência técnica. Falam de identidade.
Quem rejeita o “ar jovem” que a Globo tem mostrado, fala da fraca tentativa de parecer jovem e descolada. Quem quer Romário quer linguagem mais provocativa e informal.
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Cada escolha de canal também é uma escolha de mundo, de estilo, de fidelização.
Disponibilidade de jogos (19,8%), jornalismo e política (16,6%), análises de futebol (16,5%) e cultura pop e virais (13,9%) são os principais temas da guerra das transmissões. São eles que sustentam a conversa e ajudam a explicar a escolha do público.
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O que move a decisão de onde assistir não é apenas o jogo. É como o jogo é apresentado, quem o apresenta, que valores estão embutidos nessa apresentação. O público não escolhe apenas um canal, mas sim uma filosofia de transmissão.
A terceira via das transmissões
O SBT ocupa um espaço distinto com 14% das menções. Galvão Bueno (64% de aprovação) e Tiago Leifert (54% de aprovação) oferecem uma terceira via, nem o corporativismo da Globo nem a provocação da Cazé TV. Para quem não se identifica com nenhuma das duas posições, o SBT existe.
Os dados indicam que a Copa deixou de ser apenas um torneio esportivo. Transformou-se em um campo onde diferentes modelos de mídia disputam não apenas audiência, mas significado.
A escolha de onde assistir deixou de ser funcional. Tornou-se identitária. Cada emissora representa uma forma de estar no mundo. E o Brasil, nas redes sociais, escolhe sua emissora da mesma forma que escolhe sua seleção, como uma declaração de quem é.
Nota Metodológica
O estudo foi conduzido pela Timelens durante a fase de grupos da Copa de 2026. Foram mapeadas 290,5 mil menções sobre as transmissões em redes sociais e plataformas de comunicação pública. As menções foram classificadas por emissora, sentimento (aprovação/rejeição), tema de conversa e nomes de apresentadores. A análise utilizou processamento de linguagem natural para identificar contexto e polarização.