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Por trás de uma conquista que leva o nosso nome, existe uma série de relações, trocas e contribuições que ajudaram a torná-la possível. Isso inclui, claro, familiares e amizades que nos apoiam em diferentes momentos da vida, mas também laços formados dentro do contexto do trabalho.
Se eu, hoje, ocupo a posição de CEO de uma empresa, é porque tive (e continuo tendo) uma rede de apoio importante ao meu redor, formada por gente da minha vida pessoal e profissional.
Nesse último caso, penso em lideranças, mentorias, pares e colegas que, cada um à sua maneira, contribuíram para o meu desenvolvimento ao compartilharem conhecimento, dividirem aprendizados, oferecerem novas perspectivas, confiarem novos desafios a mim e estarem presentes em momentos importantes da minha trajetória.
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Reconhecer a importância dessas relações na nossa jornada não tira o nosso próprio mérito nem indica alguma vulnerabilidade.
Na verdade, acredito que é um sinal de maturidade profissional porque significa entender que continuamos responsáveis pelas nossas escolhas e pelo nosso desenvolvimento, mas não construímos uma carreira de forma isolada.
Hoje, sinto que o tema da rede de apoio já é mais reconhecido quando falamos da família como um pilar importante para que alguém consiga conciliar diferentes responsabilidades.
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Mais lideranças falam abertamente sobre como o suporte de pessoas próximas foi importante para que conseguissem assumir novos desafios profissionais, atravessar períodos mais intensos ou avançar na carreira.
Por outro lado, a rede dentro do trabalho, às vezes, parece um pouco invisibilizada.
Talvez porque, quando falamos em “rede” no contexto corporativo, normalmente pensamos primeiro no famoso (e importante) networking. Aquelas conexões que fazemos e que podem nos apresentar a alguém, indicar para uma oportunidade, abrir uma porta, por aí vai.
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Rede de apoio não é só networking
Só que o conceito de rede vai muito além do networking. Tem a ver com as relações que construímos com pessoas que nos ajudam a aprender, tomar decisões, resolver problemas, atravessar momentos difíceis na carreira e assumir responsabilidades maiores.
E toda essa estrutura de apoio não se limita a quem está no mesmo nível hierárquico que nós, nem à equipe que uma liderança gerencia.
Para ser sincera, acho que uma rede de apoio forte é justamente aquela formada por relações diversas, que oferecem tipos de suporte variados ao longo da trajetória.
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Ela pode incluir uma liderança que marcou sua carreira, profissionais mais experientes que até hoje dividem aprendizados, colegas que oferecem outra perspectiva para um problema, alguém de outra área que ajuda a destravar uma entrega ou uma pessoa da própria equipe em quem você confia o suficiente para delegar algo importante.
Ou seja, são relações diferentes entre si, mas que têm algo em comum: juntas, elas ampliam aquilo que conseguimos construir.
Apoio também é uma via de mão dupla
Agora, tem um detalhe importante: essa construção precisa acontecer nos dois sentidos. Da mesma forma que reconhecemos quem contribui para a nossa trajetória, também precisamos pensar em como podemos contribuir para o desenvolvimento das pessoas ao nosso redor.
Claro que, quando escrevo isso, não quero dizer que devemos necessariamente entrar em um programa de mentoria, assumir a responsabilidade de guiar a carreira alheia ou interferir em escolhas individuais de quem está à nossa volta.
A ideia é tomar consciência de que fazemos parte do ambiente em que outras pessoas também estão aprendendo, crescendo e construindo suas trajetórias.
É sobre pensar de maneira intencional no papel que ocupamos na rede de quem está ao nosso redor. Porque, assim como acontece na vida pessoal, acabamos fazendo parte da trajetória de outras pessoas mesmo quando nem percebemos.
A diferença é que, quando ganhamos consciência desse fato, podemos escolher como queremos exercer esse papel.
A tecnologia não substitui as relações
Tenho pensado bastante sobre isso nesse momento em que nossa forma de trabalhar está mudando tão rapidamente. Cada vez mais, incorporamos a inteligência artificial à rotina e passamos a trabalhar em parceria também com agentes de IA.
Nesse contexto, acho importante não deixarmos outras relações em segundo plano, até porque a troca com seres humanos ajuda a trazer outros pontos de vista, diversificar nossas perspectivas e ampliar nosso repertório.
É verdade que agentes de IA são capazes de ampliar muito aquilo que conseguimos fazer individualmente, mas isso não diminui a importância das relações humanas para o nosso desenvolvimento.
Continuamos aprendendo com quem está à nossa volta, construindo confiança, trocando experiências, enfrentando desafios em conjunto e evoluindo a partir dessas interações.
Afinal, somos seres sociais. Foi cooperando, compartilhando conhecimento e encontrando soluções coletivamente que chegamos até aqui. No trabalho, não é diferente.
Por isso, desenvolver uma carreira nos dias de hoje envolve saber combinar essas duas dimensões. De um lado, precisamos aproveitar tudo aquilo que a tecnologia tem a nos oferecer.
De outro, cultivar relações profissionais que nos ajudem a crescer e assumir, de maneira consciente, o papel que também podemos exercer no desenvolvimento de quem está ao nosso redor.
Rede de apoio é uma via de mão dupla. Então, valorize quem faz parte da sua e procure, com a mesma intencionalidade, fazer parte da rede de outras pessoas.