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Durante décadas, cuidar da saúde foi tratado como um bônus: algo que se fazia quando sobrava tempo, disposição ou dinheiro. Hoje, isso mudou. Ir à academia, tomar suplementos, investir em qualidade de sono e usar roupas esportivas deixou de ser visto como ostentação — e passou a ser leitura estratégica de futuro. Para muitos, parece luxo. Mas, olhando os dados, é revolução.
Segundo a IHRSA (International Health, Racquet & Sportsclub Association), o mercado global de academias movimentou aproximadamente US$ 96,7 bilhões em 2019, com projeção de crescimento para US$ 125,23 bilhões até 2030, impulsionado por uma taxa média anual de crescimento de 7,7%. O Brasil, com cerca de 34.509 academias registradas, ocupa a segunda posição mundial em número de estabelecimentos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
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A McKinsey & Company reforça esse cenário: o mercado global de bem-estar já atinge US$ 1,8 trilhão, crescendo entre 5% e 10% ao ano. Nos EUA, 82% dos consumidores consideram o bem-estar uma prioridade diária. E o motor dessa transformação é a nova geração. Os millennials e a geração Z não discutem mais “qual balada você vai”, mas sim “qual suplemento você toma”, “em que academia você treina” ou “qual wearable você usa para rastrear seu sono”.
Esses movimentos culturais refletem um novo olhar da sociedade. De acordo com o Global Wellness Institute (GWI), a economia global do bem-estar atingiu US$ 6,3 trilhões em 2023, representando cerca de 6% do PIB mundial. Isso consolida o setor como uma das indústrias de crescimento mais aceleradas do planeta, impulsionada pela busca por longevidade, saúde mental, autocuidado e qualidade de vida.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que um investimento adicional de menos de US$ 1 por pessoa por ano em países de baixa e média renda na prevenção e tratamento de doenças não transmissíveis poderia prevenir cerca de 7 milhões de mortes até 2030. Além disso, cada dólar investido nessas intervenções pode gerar um retorno econômico de até US$ 7, evidenciando a eficácia e a eficiência dos investimentos em prevenção de doenças crônicas como obesidade, diabetes e hipertensão.
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A McKinsey também mapeou cinco tendências que moldam o futuro do setor:
- Saúde em casa. A pandemia de COVID-19 popularizou os testes domiciliares, e os consumidores agora demonstram interesse em kits para diversas condições, como deficiências vitamínicas e níveis de colesterol.
- Wearables e biomonitoramento. 75% dos consumidores querem monitorar sua saúde com tecnologia. Aproximadamente metade dos consumidores pesquisados já adquiriu algum dispositivo vestível de monitoramento de saúde, como relógios inteligentes e monitores contínuos de glicose.
- Saúde da mulher. Há um aumento na procura por produtos relacionados à saúde feminina, incluindo cuidados menstruais, saúde sexual, menopausa e gravidez.
- Envelhecimento saudável. Mais de 60% dos consumidores consideram importante adquirir produtos ou serviços que promovam um envelhecimento saudável e longevidade.
- Gestão de peso. Nos Estados Unidos, 60% dos consumidores estão tentando perder peso, com 50% considerando medicamentos prescritos como uma intervenção eficaz.
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Mas nada disso é possível sem os profissionais da saúde e do movimento. O crescimento do mercado de bem-estar impulsionou também a valorização dos profissionais de Educação Física e áreas correlatas. Dados do Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) mostram que o Brasil já conta com mais de 650 mil profissionais registrados, representando cerca de 5,44% de todos os profissionais da área da saúde no país. Além disso, a presença desses profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou mais de 1.379% na última década, reforçando o papel da atividade física como ferramenta de saúde pública.
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Eles desempenham um papel fundamental não apenas em academias, mas também em escolas, empresas, clínicas e na formulação de políticas públicas. Eles são essenciais na prevenção de doenças, na melhoria da funcionalidade e na promoção da qualidade de vida. As empresas reconhecem essa importância: uma análise publicada na Health Affairs revelou que programas de bem-estar corporativo podem resultar em uma redução de custos médicos de aproximadamente US$ 3,27 para cada dólar investido, além de diminuir os custos relacionados ao absenteísmo em cerca de US$ 2,73 por dólar gasto, indicando um retorno significativo sobre o investimento. Além disso, uma revisão sistemática publicada no American Journal of Managed Care encontrou que programas de bem-estar no local de trabalho podem gerar um retorno sobre o investimento de até US$ 15,60 para cada dólar investido, evidenciando o impacto positivo dessas iniciativas na saúde dos funcionários e na economia das empresas.
Ou seja: cuidar da saúde não é luxo, é inteligência estratégica. O tempo que se dedica a treinar, descansar ou comer bem não é um privilégio — é uma decisão consciente, baseada em ciência, em futuro e em autoconhecimento.
A nova economia é da longevidade. A nova cultura é da prevenção. A nova geração já entendeu que o corpo é o primeiro ativo que precisa estar em dia.