O pós-15 de março na política

A reversão de expectativa e a inclusão da agenda de fundo de Paulo Guedes na ordem do dia dos congressistas depende de um realinhamento que está longe de ser visto e que precisaria de iniciativas do governo no sentido contrário das que foram vistas nesse fim de semana

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As críticas ao Congresso Nacional deram o tom dos atos do domingo (15) e, para além da métrica do número de participantes, é fato que os atos existiram no mundo da política. Menos os atos em si – e mais a maneira como presidente os usou – deixam o clima ainda mais conturbado.

Nas últimas manifestações, de maio de 2019, a resposta do Congresso foi dar celeridade à agenda econômica, encabeçada pela reforma da previdência. Por baixo da superfície, no entanto, o que se viu foi um trabalho na direção de limitar poderes do presidente Jair Bolsonaro – com o avanço do orçamento impositivo, por exemplo – e a manutenção de um clima de tensão que durou o ano todo e que até hoje rende tropeços do governo na agenda legislativa.

A principal diferença de 2019 para este ano é que (além do endosso explícito do presidente e do viés maior contra o parlamento), agora, mesmo que o Congresso queira dar resposta positiva semelhante à do ano passado, há uma agenda com maior senso de urgência do que as PECs de Paulo Guedes e as duas reformas (administrativa e tributária) que não foram sequer enviadas pelo governo: as medidas de estímulo e combate à crise provocada pelo coronavírus.

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Ou seja, o Congresso tem espaço para dar uma resposta (trabalhar para as medidas emergenciais em reação ao coronavírus) que, ao mesmo tempo, tende a ser vista como positiva e deixa de lado a agenda estruturante do ministério da Economia.

A reversão dessa expectativa e a inclusão da agenda de fundo de Paulo Guedes na ordem do dia dos congressistas depende de um realinhamento que está longe de ser visto e que precisaria de iniciativas do governo no sentido contrário das que foram vistas nesse fim de semana.

Bolsonaro transformar os movimentos deste domingo para direcionar a pressão no sentido dessa agenda seria um movimento positivo, mas também está distante do tom que tem sido adotado pelo presidente. Apagando fogo com gasolina, o presidente também deixa acesa a disposição dos parlamentares de darem trocos como o do veto 55, do BPC. É questão de tempo e de escolha ver qual será a próxima tentativa.

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