O Mercado Maluquinho. Um menino Feliz.

Non-Farm Payroll, Petróleo e muito mais.
Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Esqueça cortes no primeiro semestre no Fed. Pelo menos é isso que os mercados estão te dizendo. Já tem mais chance de não haver corte nas próximas duas reuniões, ainda no primeiro semestre, do que de haver. A culpa é dele mesmo, Non-Farm Payroll. Depois desse dado de sexta-feira, de 303 mil vagas criadas (50% acima das expectativas), o tom agora é esse. Tem cada vez mais gente sentada no FOMC falando em zero cortes em 2024, e tem até uma pessoa falando em dar uma puxadinha de +0,25%, só pra ver. Curvas pra cima, dólar pra cima, S&P… pra cima? Pera, perdi algo aqui? Aahh, é a tal da correlação condicional do S&P dos últimos tempos. Se temos atividade mais fraca, implica menos juros, bolsa para cima. Se temos atividade mais forte, implica mais lucro para as empresas, bolsa pra cima. Se não temos dados na semana, tudo bem, semana sem ruído, bolsa para cima. Brincalhões como o Bichinho da Maçã.

Aqui, na terra do Pererê, do Tininim e do Tuiuiú, a narrativa começa a mudar (mas as projeções ainda não). Aquela certeza que o mercado tinha de déficit fiscal em 2024 começa a virar dúvida para 2025. Depois de dois meses de bons resultados fiscais e a Petrobrás fazendo sua parte com dividendos extraordinários, bom, “… aí, o tempo passou. E, como todo mundo, o menino (…)” Haddad “(…) cresceu. Cresceu e virou um cara legal! E foi aí que todo mundo descobriu que ele não tinha sido um menino maluquinho. Ele tinha sido era um menino feliz!”. E, para ajudá-lo mais um pouquinho, esse barril de petróleo em 90+ dólares só facilita o trabalho dele. Como faz “H” com a mão?

Para essa semana, temos “aniversário” de seis meses da guerra em Gaza. Sim, já deu seis meses. Quarta temos CPI nos EUA, vai ser um dado importantíssimo. Temos a continuação da novela do futuro da Petrobrás (e do Prates, em particular). E temos a continuação da história do fim de semana entre Elon Musk e Alexandre de Moraes. Talvez faça, talvez não faça preço, mas que vai gerar discussão, vai. E muita. Mas, por fim, o que não vai ter continuação, mas vai ter muita discussão, é o falecimento de Ziraldo. Se impactou uma geração de crianças com suas obras infantis, também o fez com os adultos, com sua acidez inteligente no Pasquim. Acidez essa que influenciou muita gente, inclusive esse que vos escreve.

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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