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O DREX, o PIX e a “Nova Indústria Brasileira”

Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Em uma cidade, havia dois entregadores de jornal. O jovem Alpix e o velho Drexheimer. O Pix era o mais rápido. Se você queria que algo chegasse agora mesmo, era com ele que você deveria falar. Nem olhava o que estava carregando, apenas garantia que chegasse lá IMEDIATAMENTE! Já o Drex, era mais tranquilo. O negócio dele era ser meticuloso. Verificava se estava tudo certinho, se a embalagem era adequada, se os contratos e documentos estavam ‘ok’ e só depois fazia a entrega. O PIX era usado no dia a dia, principalmente com valores menores. o DREX era para valores maiores. Quer entregar esse dinheiro para o vendedor do carro, mas só depois que estiver com o documento do carro em seu nome? Claro, o DREX garante isso, e também garante que você VAI MESMO entregar o dinheiro para o vendedor, depois que ele passar o carro pro seu nome. Custódia, Liquidação e Entrega: Esse é o DREX. A nova moeda digital lançada pelo Banco Central (DREX) roda em blockchain própria, e os Tokens são lastreados em reais. Nela você pode rodar smart contracts com liquidação automática. (Ok, já tá parecendo publi, mas realmente gostei da proposta).

O que eu não gostei tanto assim da proposta foi a “Nova Indústria Brasil”, o ‘novo’ (bem parecido com o anterior) programa de investimento público em indústria verde do governo federal. Já vi esse filme antes, e não teve um final feliz. Pode ser diferente dessa vez? Claro que pode – e torço muito para que seja – mas R$300 bilhões em parafiscal com pouca regulamentação, fora do orçamento e sem oversight adequado do legislativo, não é exatamente um exemplo de transparência. E dinheiro público subsidiado (taxas a partir de TR+2% não são exatamente uma taxa de mercado) sendo direcionado por uma burocracia distante do resultado final, não é o meu sonho de uso dos meus impostos. Tomara que eu esteja errado, e dessa vez seja diferente.

Do lado do tesouro brasileiro, ontem tivemos uma emissão em dólares de 10 anos, que foi um tremendo sucesso (pelo menos do ponto de vista de apetite). Vai abrir caminho para empresas brasileiras também fazerem algo semelhante, o que melhora a liquidez do mercado. Japão decidiu (de novo) pela manutenção (de novo) da sua taxa de juros (de novo). Temos ainda decisão no BCE (quinta), divulgação do PIB dos EUA (quinta também) e o PCE (sexta). E nessa madrugada o governo chinês anunciou um pacote de apoio ao mercado de ações de uma pechincha de U$ 280 bilhões (com “B” de “Bondade”).

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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