O balanço de Nvidia

Depois do pregão, vamos acompanhar de perto o balanço (e o guidance) de Nvidia. Os números e, principalmente, os desdobramentos secundários
Por  Alexandre Aagesen -
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Risco é o que sobra depois que você (acha que) já pensou em tudo. Hoje é um grande dia. Dois dados gigantes escondidos. Um sai nos últimos minutos de pregão, ainda com o pregão aberto. O outro sai depois e pode trazer volatilidade para amanhã cedo. O primeiro é a ata do Fomc. Provavelmente vai trazer um tom duro, vai falar em “higher for longer”, vai falar que a luta contra a inflação não acabou. Não deveria trazer surpresas, e qualquer surpresa aqui deveria ser positiva. As expectativas – e, portanto, os preços – já estão alinhadas com um discurso duro. Vai ser muito difícil a ata ser mais dura a ponto de fazer preço, mas pode ser menos dura do que o esperado – mas não acho que vá ser. Mas risco é o que sobra depois que você (acha que) já pensou em tudo, claro.

E falando em risco (que é o que sobra depois que você (acha que) já pensou em tudo), hoje, depois do fechamento do pregão, temos a divulgação do balanço da queridinha do mercado: Nvidia. Se você joga xadrez, deve conhecer o “en passant”. Você mexe seu peão duas casas e acaba sendo pego por um peão adversário na coluna ao lado (na linha 4 ou 5, dependendo da cor das suas peças). “En passant”. Você perde o peão, é verdade, mas raríssimas vezes as consequências acabam aí. O resultado de Nvidia hoje é uma dessas situações. Em primeira magnitude, temos o impacto do balanço na empresa em si, que naturalmente pode ser mais positivo ou mais negativo para o acionista. Mas existe um segundo nível, particularmente no guidance que a companhia vai passar: se Nvidia bater o último guidance e puxar mais para cima, todas as empresas que citaram AI nos seus resultados vão seguir puxando no pregão de amanhã. Se, por outro lado, houver algum tipo de reajuste, vai indicar que a demanda por AI não é assim tudo aquilo, e pode impactar diretamente outras ações. “En passant”.

Mas risco é o que sobra depois que você (acha que) já pensou em tudo. No xadrez global, a temperatura não para de subir. EUA levando uma censura (leve) às ações de Israel. Brasil (bem mais pesado) seguindo a mesma linha. Rússia buscando (e conseguindo) importantes vitórias, às vésperas de a guerra com a Ucrânia completar dois anos. A pressão do agro (particularmente o francês e o polaco) muda sensivelmente o apoio – até então menos restrito – ao acordo da UE com o Mercosul e da UE com a Ucrânia. Na mesma linha de xadrez, os cavalos de Rússia-Ucrânia e Israel-Hamas colocam a União Europeia, os EUA, o Brasil e o Mercosul num intrincado garfo. Não é mate, mas algumas evoluções importantes devem acontecer.

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Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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