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Ciclos Econômicos Sincronizados

Mais dois países desenvolvidos entram em recessão, o que aumenta a pressão na discussão de cortes de juros.
Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Incerteza econômica leva os policy makers à expansão monetária e fiscal (2020). A expansão dá impulso à economia, e se o impulso for artificial (e normalmente é), a economia cresce acima do seu potencial, o que gera inflação (2021). Bancos Centrais sobem juros (2022). Inflação desacelera (2023). Bancos Centrais cortam juros antes que economias entrem em recessão (2024). Na América Latina, os Bancos Centrais fizeram tudo antes, e já estão cortando juros. No mundo desenvolvido, menos acostumados à inflação, demoram mais e estão entrando em recessão, um a um. Primeiro foi a Alemanha. Hoje descobrimos que o Reino Unido e o Japão também entraram em recessão técnica (2 trimestres de PIB negativo) no 4o trimestre de 2023. Bem agora que mais ninguém está falando de recessão nos EUA. No final, temos um ciclo econômico completo, e – normalmente – um fiscal ligeiramente mais frouxo do que estava no fim do ciclo anterior.

Em geral os ciclos de um país ou uma região até conversam com outros países e regiões parceiras, mas raras vezes vimos ciclos tão sincronizados como este. Exceções existem, como sempre, como a Argentina. Se você abrir um jornal global hoje, talvez até veja alguém falar que a inflação na Argentina desacelerou em janeiro (+20,6%), mas isso é por que estão comparando com dezembro (+25,5%), e não com janeiro do ano anterior (+6%). Todos os números da frase acima são referentes ao mês. Em 12 meses, a inflação por lá corre solta em +254,2% (nem Usain Bolt corre mais). Eu digo muito isso quando estou falando de Argentina, mas cara, que fase!

E hoje temos pagamento de juros de todas as NTN-Bs com vencimentos em anos pares (2,96% de Cupom). Segundo o próprio Tesouro Nacional e a ANBIMA, estamos falando de algo ao redor de 33,5 milhões de reais sendo distribuídos pelo nosso governo e, boa parte, sendo realocado. Para onde vai esse dinheiro? Segundo o Tesouro, parece um ótimo dia para um leilão de NTN-F e LTN (ambos pré-fixados).

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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