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Breaking Point

Um ponto de virada parece se aproximar. Ao se confirmar, más notícias. Caso contrário, um novo ciclo pode começar.
Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

É raro, eu sei, mas eu gostava muito da minha primeira professora de Física. Sheila. Claro que era gente boníssima, completamente fora da casinha e explicava física (particularmente física moderna) do jeito que eu gostaria que alguém explicasse pros meus filhos. Uma cena, em particular, parece que ainda vem na minha frente. Ela jogando a caneta para cima, mostrando o momento que ela “para” no ar, no ápice do movimento, antes de cair. Dessa forma, deveríamos calcular a altura máxima da caneta, dada uma aceleração inicial, e a “des”aceleração da gravidade levando a velocidade até zero. No mercado financeiro a figura não é tão bonitinha. A “caneta”, nesse caso, pode fazer uma pausa e “decidir” seguir o movimento original. Física está em ciências exatas – finanças está (infelizmente) em humanas.

De qualquer forma, eu vejo os dados atuais e lembro da Sheila. Aquele movimento inicial de inflação pra baixo, fundamentos melhorando e risk-on certeiro, reduz a velocidade. Parece se aproximar do ápice. Os dados começam a piorar, os discursos começam a endurecer, os mercados perdem momentum. Pausa ou reversão? O Alê do futuro vai saber, mas eu ainda não sou ele. Te conto daqui uns meses, quando já for tarde demais. Por enquanto, eu vejo a ata atual do COPOM e lembro de novo da caneta. Aquele ritmo mais forte de queda de juros, juros reais emagrecendo e discurso dovish vem reduzindo. A caneta ainda não parou, mas a velocidade vem diminuindo com essa tal gravidade (inflação e juros americanos).

Enquanto o Alê do futuro não existe, o que o Alê do presente faz? Bem, essa é uma excelente pergunta, principalmente dado que o Alê do presente é o único que vai seguir existindo (pelo menos até deixar de fazê-lo) e tomando decisões sobre um futuro (que é uma astronave que tentamos pilotar) que, quando chegar a conhecer, já será presente e então será tarde demais. E quem acha que ainda não é tarde demais é o Xi: a caminho dos EUA, para falar com CEOs e garantir que é bom fazer negócio com a China. Jack Ma, Xu Jiayin e toda a indústria de games tem fortes argumentos contra essa narrativa, mas talvez não seja tarde demais.

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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