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A ata do FOMC chegou – tarde demais

Tom duro da ata faz pouco efeito, mercado segue uma dinâmica própria e completamente independente da política monetária.
Por  Alexandre Aagesen
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

O menino Jay as vezes se atrapalha. Dá lavagem ao macaco, banana pro porco, osso pro gato, sardinha ao cachorro e cachaça pro pato. Entra no chuveiro, de terno e sapato e não quer mais papo. Mas depois que esfria a cabeça, se arrepende, claro, e coloca por escrito tudo aquilo que não consegue falar na frente das câmeras. Foi o caso. De novo. Quem ouviu o discurso dele depois do FOMC e leu a ata que saiu ontem, duvida que se refiram à mesma reunião. A ata trouxe o tom duro que a gente esperava no statement pós-FOMC. Mas agora é tarde demais. O mercado incorporou o grande Clark Gable em “E o Vento Levou”: Frankly, my dear, I don’t give a damn.

E vamos ao legislativo. Não o nosso legislativo terreno e simplista, mas à Lei de Murphy. Murphy era um cientista e matemático da NASA, parte do time que tentava colocar o primeiro astronauta na lua (de preferência antes de um cosmonauta). “Se algo pode dar errado, dará”. Simples, cômico e absolutamente preciso. Do jeito que eu gosto. Dia 04 de janeiro e já tivemos terremoto e tsunami. Agora dois ataques sem nenhum grupo assumir a responsabilidade. Um no Libano, que matou o “número 2” do Hamas e outro no Irã, que matou pelo menos 103 pessoas. Você está acompanhando o preço do petróleo?

E hoje temos leilão de títulos do Tesouro Brasileiro. Passaria completamente batido por essa coluna, como quase sempre acontece, se não fosse uma novidade: Notas do Tesouro Nacional – Série F com vencimento em 2035. O título pré-fixado fixado mais longo que temos hoje é a NTN-F 2033, mas a partir de amanhã vamos ter uma de 2035. Insumo para precificar DI1F35, créditos privados e mais um vértice de inflação implícita. Fenomenal (se você curte esse tipo de coisa). Enquanto isso, vale acompanhar o PMI do Japão decepcionando (e o Yen apanhando) e os dados de emprego nos EUA: Hoje temos ADP, amanhã temos Payroll. Sempre vale ficar com um olho lá.

Ficou com alguma dúvida ou comentário? Me manda um e-mail aqui.

Alexandre Aagesen Com mais de 15 anos de mercado financeiro, é CFA Charterholder, autor do livro "Formação para Bancários", host do podcast "Mercado Aberto" e Investor na XP Investimentos

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