VENDAS DE VEÍCULOS CRESCEM 4% NESTE PRIMEIRO TRIMESTRE!

Não.... você não leu errado!

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
arrow_forwardMais sobre

Sim! Ao contrário de tudo que você leu na mídia nestes últimos dias as vendas de veículos não caíram 1,7% neste primeiro trimestre! Na contra-mão de tudo, registramos crescimento de quase 4% no mesmo período. E, para ser bem claro, falamos aqui apenas de Automóveis e Comerciais Leves.

E, NÃO!,  não estou sobre influência de qualquer tipo de medicamento enquanto escrevo este texto….

Mas vou explicar melhor:

Quando a gente olha as informações que foram divulgadas, realmente registramos queda nas vendas de 1,68%, onde tivemos neste primeiro trimestre 774,02 mil carros vendidos, contra 787,29 mil sobre o primeiro trimestre do ano passado.

Então, mas como o setor registra alta de 4%? Simples!

Estou vendendo menos, mas faturando MUITO MAIS!

Neste primeiro trimestre, as vendas de automóveis e comerciais leves bateram o valor de R$ 35,51 bilhões contra R$ 34,20 bilhões sobre o trimestre do ano anterior. Tivemos, neste trimestre, alta de 3,82%, ou crescimento de R$ 1,3 bilhões, ou faturamento adicional de quase 38 mil VW/UP!.

Mas como meu faturamento aumentou 4% enquanto as vendas caíram quase -2%? Mais simples ainda: aumento de preços.

O preço médio do carro vendido neste primeiro trimestre foi de R$ 47,14 mil contra R$ 44,41 sobre o mesmo período do ano passado. Ou seja, crescimento de 6,16% ou aumento médio no preço do veículo de R$ 2,7 mil.

Fazendo um resumo, para termos alguns pontos para trabalhar:

Quem está ganhando nessa:

 

  • Montadoras – mesmo com o mercado em queda (em unidades) as marcas estão tendo crescimento no faturamento e, possivelmente, na sua rentabilidade, ou mantendo as mesmas.

 

  • Governo – Em geral, todas as esferas (Federal, Estadual e Municipal) não tiveram perda de receitas. No caso do imposto Federal (IPI),  tiveram ganho adicional com o aumento da alíquota. Os outros (Estadual e Municipal) viram seu ganhos aumentarem na mesma proporção que o faturamento da indústria.

 

 

Quem está perdendo:

  • Consumidores – o carro brasileiro, a  quase R$ 3 mil mais caro, é de cortar o coração!

 

  • Metalúrgicos – Com a queda nas vendas (em unidades) deveremos ter um monte de mimimi das empresas para mandar um monte de gente embora ou fazer pressão em cima deles.

 

  • Concessionários – Concessionários ?!?!?!?!. Sim, concessionários! Às vezes, no setor automotivo, a lógica não é tão perfeita. Não quer dizer que, com um aumento no faturamento de 4%, eles também participam ganhando 4% a mais. Vamos detalhar melhor aqui esse pondo. Em geral, como em qualquer franquia, o franqueado trabalha por um comissionamento, aqui no nosso exemplo hipotético, vamos trabalhar com 10%.  Pois bem, o que registramos neste último trimestre: comumente, para as fábricas manterem o seu faturamento/rentabilidade, tiveram que “trabalhar” com outras sistemáticas de vendas.  Sendo assim, as montadoras estão vendendo diretamente ao consumidor (a chamada venda direta) e pagando comissionamento de 1% a 2% para o seu franqueado.  E aí?  E aí que, no mês de março, a FIAT vendeu quase 54 mil carros e, desse total, quase a metade (25 mil) foi através desta sistemática. Ou seja, meu custo continua alto e minha rentabilidade foi para o saco!

 

Não duvido que comecemos a ter uma grande quantidade de fechamento de concessionárias no curto/médio prazo.

A tabela e o gráfico abaixo explicam melhor. E você, qual a sua opinião? 

 

 

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.