Vendas de motocicletas avançam 24% no Brasil em 2021

Crescimento é boa notícia, mas números ainda representam pouco mais da metade das vendas registradas dez anos atrás

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Fábrica de motos da Honda em Manaus
(divulgação)

Caros leitores, digníssimas leitoras: uma das gratas surpresas do ano de 2021 foi a recuperação do setor de motocicletas.

Ao que tudo indica, mais de 1,135 milhões de consumidores estarão – assim como o Vital – realizando o seu sonho de metal.

Teremos um crescimento de 24% sobre o ano passado, quando tivemos 915 mil motos vendidas. De fato, o setor registrará o seu melhor resultado desde 2016.

Além disso, sempre nutrimos um carinho especial pelo segmento. Um dos grandes símbolos do plano Real foi a ascensão do setor de motocicletas. No período de 1994 até 2008 (15 anos), o setor registrou um crescimento médio anual de 20%. Isso no período dos governos ITAMAR-FHC-FHC-LULA.

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Foram pouquíssimos setores da economia (neste período) que tiveram uma taxa de crescimento como essa. Lógico que depois de 15 anos de bonança, entramos numa situação de terra arrasada.

Mas o grande ponto, gerado pelo setor de duas rodas é que a popularização da motocicleta se consolidou com uma ferramenta de trabalho (tivemos o surgimento do moto-frete; mototáxi; motoboy) e de transporte individual extremamente econômica.

Esse crescimento de 24% para o setor é importante uma vez que, não 100% das motos, mas algo próximo a 99,99% das unidades vendidas no mercado interno saíram da Zona Franca de Manaus.

E o Estado do Amazonas foi um dos mais castigados pela pandemia do COVID-19. Tivemos muitos períodos de paralisação fabril devido à pandemia. E isso não deixa de ser uma volta por cima em uma região brutalmente afetada pela pandemia.

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Outro fator que gerou esse acréscimo de quase 220 mil motos em 2021 foi o aumento de outras formas de crédito para o financiamento de veículos.

Se antes o setor estava atrelado fortemente ao desempenho do Sistema de Consórcio para a comercialização das motocicletas, outras modalidades de financiamento (seja via CDC e até mesmo via cartão de crédito), foram ganhando atratividade junto às instituições financeiras e, consequentemente, o público consumidor acabou encontrando novas ferramentas para a aquisição.

O que vislumbramos para o setor – salvo hecatombes nucleares – é um novo ano de crescimento – por volta de 1,25 milhão de unidades em 2022. O que será um “baita” resultado mas, mesmo assim, ainda longe das quase duas milhões de motos vendidas em 2011.

P.S. -> Quando a gente fala do setor de duas rodas, em geral, estamos falando do desempenho da Honda (que tem uns 75% do mercado). Em linhas gerais, o mercado é Honda + Yamaha + “o resto”.

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.