UP AND DOWN!

O setor automotivo vive um "UP" nos investimentos;  mas será que não estamos entrando num período DOWN?

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Saiu recente na mídia, matéria sobre o interesse da GM em preparar um novo ciclo de investimentos no país. O que, do ponto de vista inicial, seria ótimo para a economia interna do país e blá, blá, blá, e terminamos por aqui.

Bem, o que vem nos preocupando, é esse novo UP! As montadoras (todas) estão investindo um caminhão de dinheiro por aqui (não vamos discutir a origem desse dinheiro – BNDES?). E o que estamos vendo? Caso não me engane, teremos nos próximos dois anos um total de oito novas plantas fabris em atividade.

Isso vai representar uma possível produção de aproximadamente 5,8 a 6,2 milhões de carros nos próximos anos.

Uau! É carro pra caramba!

E a grande pergunta é: Pra onde irão todos esses carros? Nas nossas contas, COM MUITA SORTE, o mercado neste ano irá consumir 3,43 milhões de veículos (é, a gente foi “camarada” nesse número), ou seja, voltamos o mercado automotivo para o ano de 2011.

Projetando o mercado de automóveis entre 2015 até 2018 (esse ano já foi); lá para 2018 (sendo “camarada” novamente) chegaríamos a um volume de vendas no mercado interno próximo de 3,9 a 3,95 milhões de unidades.

Imaginando que ocorram (até lá) todos os investimentos anunciados, chegaremos a uma produção máxima de 6 milhões de carros, contra vendas no mercado interno de 3,95 milhões de unidades. Ou seja, teríamos uma sobra de quase 2 milhões de carros e utilizaríamos apenas 65% da capacidade fabril.

E para onde iriam esses 2 milhões de carros? Exportações? Fala sério! Tirando o nosso quintal aqui do lado, onde a “La Loca” ficará até o final de 2015, não podemos contar com eles até o final desta década…

Para outros mercados? Talvez o México? Mas eles estão com quatro novas plantas fabris para os próximos anos  e, por acaso, são  nossos concorrentes diretos. Chile, Colômbia? Pode ser… mas o tamanho do mercado deles é do tamanho do estado do Paraná.

Além disso, devemos lembrar que a nossa infraestrutura para fazer a venda desses veículos ao exterior, não é assim “nenhuma Brastemp”.

Você acha que estou pintando um cenário ruim? A gente sempre pode piorar!

Lembram dos 3,95 milhões de carros que projetamos vender em 2018? Então… nesse bolo já estão incluídas as vendas de carros importados. Ou seja, o estrago tende a ser maior ainda.

O “El Dorado” que as montadoras buscam aqui está minguando! Lógico que existe uma grossa capa de gordura de margem nos lucros, mas, com os novos investimentos (se ocorrerem) a rentabilidade para manter a operação de seus novos “elefantes brancos” irá ralo abaixo!

Mas sempre tem as oportunidades de mercado! Lógico… se alguém vai se dar mal (ou está se dando mal) significa que alguém está indo muito bem! (nesse raciocínio, em geral, o consumidor brasileiro sempre se dará mal).

Mas vamos voltar ao nosso universo.

Os valores aqui são médias – e toda média é burra – existem casos onde marcas irão ganhar (ou já estão ganhando) e outra que irão perder (ou já estão perdendo).

Vamos começar com um exemplo positivo. Temos a Hyundai. Pegando as vendas da marca de 2007 até o primeiro bimestre deste ano, notamos o alto grau de evolução obtido ao longo dos últimos 7 anos. Para vocês terem uma ideia, em 2007, a Honda vendia quase 5,5 mil carros a mais por mês que a Hyundai. Já nesse primeiro bimestre, a Honda vende 7,6 mil carros a MENOS, do que a Hyundai. Ou seja, o salto da marca é violentíssimo!

O gráfico abaixo mostra o desempenho dela:

 

E também temos um exemplo negativo. Vamos pegar o caso da VW. O que a VW, em nossa visão, fez ao longo dos mesmo período? Acreditamos que os executivos da marca estavam muito mais preocupados em manter sua rentabilidade. Neste contexto, o pensamento foi: “ independentemente se eu fui perdendo mercado ou não, eu sempre mantive a minha lucratividade dentro da meta. Não me preocupei em manter relações harmoniosas com os meus franqueados, desenvolver novos produtos…” e por aí vai.

O que aconteceu foi que,  no glorioso ano de 2012, a marca alemã vendia em média 10,5 mil carros a mais que a GM. Neste ano, a diferença caiu para o nosso simbólico desvio padrão de 669 carros a mais do que a marca americana. E a diferença para a Fiat… bom, aquela diferença a favor da Fiat, que já foi de 4,4 mil carros a mais para a marca italiana, saltou para quase 12 mil carros/mês.

Para piorar, acreditamos que o UP que a marca alemã poderia dar esse ano não vai ocorrer, devido ao  seu erro de precificação de produtos.

O mesmo gráfico mostra o desempenho da marca:

 

E você, o que acha?

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.