UM LEVE SUSPIRO…

Resultado do mês de outubro.

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Com mais de 291 mil carros vendidos em outubro, o setor automotivo registrou crescimento de 3,3% sobre o mês passado, quando tivemos 281,7 mil unidades comercializadas. O resultado deste mês é o segundo melhor do ano, perdendo apenas para o mês de janeiro, quando tivemos 299,7 mil carros emplacados.

Porém, ao compararmos o atual volume de vendas sobre o mesmo período do ano passado, onde, em outubro de 2013, foram 313,2 mil carros vendidos, o setor registra perda de -7,1%. No acumulado do ano, temos 2,691 milhões de carros vendidos contra 2,949 milhões do ano passado. Queda de -8,75%.

As vendas de veículos nos meses de setembro e outubro se recuperaram devido a um maior aumento na oferta de crédito. Segundo informações do Banco Central, no mês de setembro, foram liberados mais de R$ 10,87 bilhões para a aquisição de veículos. Melhor resultado deste ano.

A tendência é que haja aumento na concessão de crédito para o último trimestre do ano.

No acumulado entre janeiro a setembro houve a liberação de mais de R$ 85,29 bilhões para a aquisição de veículos. Resultado este 0,7% maior do que o mesmo período do ano passado: R$ 84,7 bilhões.

Porém, apesar do aumento na liberação de crédito, notamos que o saldo das carteiras de crédito das instituições financeiras estão em declínio.

Em setembro deste ano, registramos o menor saldo destas carteiras de crédito, tendo um saldo total de R$ 212,9 bilhões. Pior resultado desde o início da nova série do BC, que é de março de 2011.

Mas o grande destaque positivo deste mês foi a FORD. Com 27,64 mil carros vendidos, a marca registrou crescimento de 10% sobre o mês passado. O sucesso do novo Ford KA, garantiu o acréscimo de 2,5 mil carros neste mês sobre o mês passado. Da mesma forma, devemos fazer uma menção honrosa ao trio japonês (Honda, Toyota e Nissan). Eles tiveram crescimento mais modesto que a FORD (4,8%; 9,1% e 0,8%, respectivamente), mas as três marcas registraram o seu melhor resultado de vendas neste mês.

Já que registramos um destaque positivo, não podia faltar o negativo. O grande destaque negativo ficou por conta de todas as montadoras! Neste mês, as vendas diretas bateram a casa de 31,6%. Ou seja, de cada 100 carros vendidos, praticamente 32 foram vendidos pelas montadoras. Algumas marcas “forçaram a barra neste mês”; como a Fiat, que teve 48% das suas vendas através desta modalidade, ou seja, de cada 2 carros vendidos, 1 foi através da venda direta.

O que isso quer dizer? Que a montadora pratica dois preços distintos. Num exemplo hipotético, imaginemos a Fiat, que vende um Fiat Palio a R$ 35 mil para o consumidor “normal” (tipo eu ou você). Esse mesmo carro é vendido para algumas pessoas jurídicas que LOCALIZAM essas oportunidades de mercado a um preço hipotético de R$ 25 mil. Imagine a sensação deste consumidor daqui a dois anos, quando tentar vender o carro dele? Vai ser igual a todos aqueles que estavam trabalhando com o mercado de opções da Petrobras após as eleições…

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.