Testamos: Peugeot e-208 GT (ou 208 elétrico)

A montadora francesa é mais uma marca de volume a entrar na era dos veículos eletrificados
Por  Raphael Galante
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Caros leitores, digníssimas leitoras: dentro da nossa constante epopeia de nos infiltrarmos no mercado de veículos eletrificados, tivemos a grata surpresa de fazer um test-drive com o (não tão) novo Peugeot e-208 GT (o 208 elétrico).

Para quem é da época que o avô dele (Peugeot 206) fez um grande estardalhaço/sucesso em seu lançamento, andar no 208 elétrico é como reviver memórias um tanto quanto adormecidas.

A primeira de todas é que a Peugeot continua (felizmente) caprichando nos detalhes e no conforto dos seus veículos.

Aquela cultura dos carros “pé-de-boi” aqui em terras tupiniquins nunca fez parte do vocabulário da marca ao longo de suas quase três décadas por aqui.

Mas qual é a do carro?

Antes de tudo, quando falamos de carros elétricos, os preços ainda são um tanto quanto proibitivos  (principalmente para o estagiário, que ainda anda com as bikes do Itaú) para o mercado brasileiro.

Quando falamos de veículos elétricos, normalmente nos referimos àqueles carros com faixa de preço para o público AAA+. E, em geral, esse tipo de veículo é daquele segmento queridinho de todos: os SUVs.

Mas o e-208 GT é um hatch pequeno, que veio brigar com o “cansado” Leaf da Nissan, o clássico italiano Fiat 500e e com o design inglês sempre esquisito do Mini.

O grande diferencial do 208 é que ele já nasceu elétrico. Ele foi desenvolvido para ser desse jeito (elétrico). Ou seja, ele possui características próprias de um carro elétrico e não de um carro à combustão que foi adaptado.

E como é andar nele?

Bom, o lado positivo de todo carro elétrico é que você pisa e ele “avoa”. O motor elétrico produz i-m-e-d-i-a-t-a-m-e-n-t-e 26,5 kgfm e 136 cavalos de potência. Isso quer dizer que o carro vai de 0 a 100 Km/h em 8,3 segundos.

No caso do e-208 GT, como ele foi desenhando para ser carro esportivo, é quase um foguete!

Mas é “quase”! Pois tivemos a grande frustação de descobrir que a Peugeot deve ter colocado um limitador de velocidade no veículo (150 km/h). Então, ele não passa dessa velocidade…

Bom, quase todas as marcas adotam esse tipo de traquinagem para poder fazer com que o carro mantenha uma certa autonomia.

No caso do e-208, a autonomia declarada pela montadora é de 340 Km. E, segundo os franceses, se você dirigir o veículo no melhor estilo “Conduzindo Miss Daisy”, pode chegar aos 400 Km.

Mas o que encanta nos carros da Peugeot são os detalhes. Sabe aquele detalhe que, de tão cretino que é, a gente fica se perguntando “mas como nunca ninguém fez isso antes”?

Então… os franceses se apegam aos pequenos detalhes, e eles fazem!

Houve aqui dois pontos principais. O primeiro foi a tela multimidia:

Qual foi a sacada da Peugeot? A tela multimidia é inclinada para o condutor. Ela não é “reta”, como em todos os outros carros. Uma inclinação da central para o condutor gera mais segurança e maior comodidade para todos. É uma coisa tão besta, mas tão besta, que eu me pergunto: por que ninguém pensou nisso antes?

O outro ponto que adoramos nos carros da marca é o i-cockpit, que evoluiu para um i-cockpit 3D. Na real, ele mostra todas as informações sobre a condução do veículo, que são projetadas a partir do painel 3D em hologramas em três dimensões.

Novamente… por que nunca ninguém pensou nisso antes?

No mais, o e-208 GT tem todos os paranauês dos demais veículos que se encontram nessa faixa de preço (por volta de R$ 265 mil): alerta de colisão; frenagem de emergência; alerta e correção de permanência de faixa (o que não adianta quase nada para as ruas de São Paulo); assistência de farol alto; sistema de ponto cego; piloto automático inteligente e mais um quinquilhão de coisas.

O grande veredito é que o carro é maravilhoso, mas ainda se encontra muito distante da realidade deste vil estagiário…

Essa análise não tem como finalidade fazer um merchan do carro da Peugeot, mas sim apontar que mais uma marca de volume está entrando na era dos veículos eletrificados.

E tem mais!

O e-208 GT “é do carvalho”! E a Peugeot também está vindo forte na venda do seu novo furgão elétrico, o Expert, um veículo de carga (1,5 tonelada) de uso urbano!

Considerando seus dois veículos elétricos, a razão de vendas desses carros da marca é de: 22% para e-208 GT e 78% para a Expert.

Se a gente somar a Citröen com o seu furgão elétrico (Jumpy), essa razão pula para: 90% das vendas dos carros elétricos do ex grupo PSA é de furgões e 10% de automóveis.

Peugeot e Citröen estão entrando no mercado de veículos eletrificados. Mas elas estão pegando um nicho de mercado nada explorado, que é a venda dos comerciais leves elétricos.

Ou seja, da mesma forma que a Toyota virou referência (no mercado brasileiro) de carros híbridos (acessíveis), as duas francesas estão trilhando o mesmo caminho para o mercado de comerciais leves de uso urbano.

Praticamente só tem elas no mercado!

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Raphael Galante Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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