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POUPANDO CLIENTES.

No momento atual que o setor automotivo vive uma incógnita sobre a oferta de crédito, o sistema de consórcios avança forte!

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Há umas duas semanas atrás, o blogueiro aqui ao lado – Reinaldo Domingos – fez um post sobre o Sistema de Consórcios, onde o título era: “Consórcio pode ser uma boa opção para quem tem dificuldade de poupar”.

Além de concordarmos – em algumas partes – com a posição dele, vamos mostrar uma outra visão. Na verdade, o texto deste artigo poderia ser: CONSÓRCIO, UMA EXCELENTE OPÇÃO PARAS AS MONTADORAS.

Mas, vamos lá:

O sexagenário consórcio, ou carinhosamente chamado de “jabuticaba”, foi por muitos anos o “patinho feio” na oferta de crédito para a aquisição do veículos novo (vamos tratar aqui apenas de automóveis).

Para vocês terem uma noção, no período de 2000 até 2008, o sistema de consórcio vendia em média 30 mil cotas/mês. Já no glorioso ano de 2013, o Sistema de Consórcios deverá encerrar o ano com volume próximo de 1,05 milhão de cotas vendidas, correspondendo por um volume médio de 87,5 mil cotas/mês.

Em resumo, num período de cinco anos, o volume comercializado aumentou quase 192%, conforme gráfico abaixo:

 

 

Mas, afinal de contas, o que motivou esse crescimento/busca maior por esse produto? Vamos a alguns fatos:

O principal motivo foi a oferta (falta) de crédito. Vamos voltar um pouco no tempo…

Com um cenário macroeconômico positivo, após a eleição do líder supremo em 2002, o setor automotivo viveu o seu “ano dourado” no período de 2002 até 2008. Como é sabido, todo o crescimento da economia tupiniquim nesse período foi baseado na demanda interna e, aqui, as vendas de carros tiveram importante papel para o desenvolvimento do país. Apenas como lembrete, no ano de 2002, vendíamos 1,4 milhão de carros/ ano, e fomos para 2,5 milhões em 2008. Esse ano encerramos com volume de vendas próximo de 3,55 milhões de unidades.

Com o aumento do crédito ofertado pelos bancos, havia uma ânsia por parte das montadoras e concessionárias em venderem a quantidade máxima de veículos que conseguissem. Soma-se que, nesse período, os bancos estavam “mais abertos” em pagarem ótimos valores de retornos de financiamentos. Neste cenário, nosso patinho feio não possuía a menor atratividade, onde, em 2007, o segmento registrou o seu pior resultado dos últimos 20 anos.

Mas tudo que é bom, acaba logo… E tivemos a crise financeira em 2008/09. Neste momento de crédito escasso, as concessionárias e bancos de montadoras passaram a ter mais atenção para o produto consórcio, tanto é, que as vendas de cotas de veículos leves entraram no seu sexto ano de crescimento consecutivo e, nas nossas contas, projetamos que este segmento se manterá aquecido, pelo menos até 2016.

Na real… não foi só por isso (escassez de crédito) que as vendas de cotas de veículos leves cresceram. Existem aqui alguns fatores:

 O primeiro foi que o distribuidor de veículos – que possui margens mínimas na venda do veículo – viu seus ganhos minguarem quando os bancos/financeiras começaram a pagar menos comissionamento na hora da venda do financiamento. Com a nova regulamentação que os “obriga” a serem correspondente bancários, muitos deixarão de ter uma boa receita para empatarem o resultado.

 Ao verificarmos o crescimento das vendas de cotas de veículos, percebemos que as empresas que estão puxando tal aumento são de administradoras de consórcio ligadas a bancos de montadoras; como o Consórcio Nacional GMAC e o Consórcio Nacional Volkswagen. Mas porquê registramos esse crescimento nas vendas de administradoras de consórcio ligadas a montadoras? Pelo simples motivo que ELAS ESTÃO POUPANDO CLIENTES PARA O FUTURO!

Como é que é? Poupando cliente? ? ? ?

Vou tentar explicar melhor. Como falei das administradoras de consórcio da GM e da VW, as usarei novamente, pois são excelentes exemplos. Quando você entra num consórcio, você está poupando para adquirir um bem, neste caso, o consumidor só retirará o seu bem no médio prazo. Como mostramos no primeiro gráfico, as vendas de cotas dispararam. Venderemos mais de 1 milhão de cotas neste ano, contudo, estimamos neste ano a contemplação de 400 mil cotas, gerando assim um superávit de clientes paras os anos posteriores, na ordem de quase 700 mil cotas.

Hoje, existem no sistema de consórcio mais de 1,3 milhão de consumidores que pagam sua mensalidade e ainda não retiraram o bem. E por que o exemplo da GM e da VW? Por que, elas possuem juntas mais de 250 mil participantes ativos não contemplados. Essas duas administradoras possuem 20% do total. Ou seja, essas duas marcas em questão estão poupando agora para usufruir mais na frente. Isso também explica o porquê delas estarem no topo das vendas de carros. Os 250 mil clientes cativados que elas já possuem, apenas como ilustração, é o equivalente às vendas de um ano da: NISSAN, CITROËN, PEUGEOT, MITSUBISHI e KIA juntas.

 

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.