Os impactos da redução de IPI no setor automotivo

Estamos com um problema estrutural na nossa economia. Essa “esmola” que o Paulinho deu não vai salvar o pessoal do setor automotivo, apenas foi um sopro de ar
Por  Raphael Galante
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Caros leitores, digníssimas leitoras,

Eis que em plena sexta-feira de carnaval, naquele momento em que todos estão esquentando os tamborins, limpando a serpentina da chopeira ou ficando nas congestionadas estradas rumo ao litoral, o “não tão” glorioso governo federal decidiu reduzir na canetada as alíquotas do IPI.

E, nesta seara, o setor automotivo foi agraciado!

A redução que o Paulinho editou seria um corte linear de 25%. Mas, para veículos, esse percentual caiu para 18,5%.

E, no frigir dos ovos, de quanto será essa redução para os consumidores?

Grosso modo, ela vai gerar uma redução nos preços dos carros na ordem de 1,08% até 3,64%.

Na real, os carros “populares” com motorização até 1.0l, que tinham IPI de 7%, passaram a ter um IPI de 5,7%. Isso vai implicar numa redução do valor do veículo na ordem de 1,08%. Então, se você, caro leitor, decidir comprar um veículo “popular” que custava, antes do decreto, R$ 100 mil, você pagará nele apenas R$ 99 mil.

Para os veículos com motorização entre 1.0l até 2.0l, que em geral possuíam IPI de 11%, terão agora um IPI de quase 9%, representando um desconto de 1,6% no preço do carro. No mesmo exemplo, se você comprasse um carro de R$ 100 mil, agora pagaria R$ 98,4 mil.

E aquele desconto de 3,6% que eu mencionei lá em cima?

São para carros com motorização acima de 2.0l, como a Toyota SW4. Mas aí estamos falando de um mercado de nicho…

E por que o governo decidiu intervir no setor?

O mercado de veículos travou! Travou geral!

Apesar de grande parte das montadoras, consultorias “especializadas”, jornalistas e associações projetarem crescimento de até 10% para o mercado de veículos novos neste primeiro bimestre do ano, ele deverá encerrar o período com retração de 26,5% ou 85 mil carros a menos.

E o pior de tudo é que o mercado de veículos usados travou mais ainda!

A retração dos veículos usados neste primeiro bimestre do ano deverá ser superior a 30%.

A situação do setor é crítica, beirando um cenário caótico!

Os carros subiram demais de preço no último ano. O descompasso do câmbio, a pressão inflacionária, dissídios coletivos e a falta de matéria prima foram os grandes vetores desse aumento. Ou seja, estamos com um problema estrutural na nossa economia. Essa “esmola” que o Paulinho deu não vai salvar o pessoal, apenas foi um sopro de ar.

O setor ainda é muito onerado. Por exemplo: um veículo na faixa de R$ 170 mil paga R$ 34 mil só de IPI e ICMS. Agora pagará R$ 31,3 mil.

Mas, em política, sempre quando vem um carinho, vem logo na sequência a bordoada!

E qual é a bordoada? A desvalorização imediata do carro usado. Geralmente, a cada redução de 1 ponto percentual no preço do carro novo, o usado acaba caindo 4%. Aí, é só fazer a conta!

O carro usado é a principal moeda na hora da compra do veículo. Se o novo ficou 1% mais barato, no curto prazo, o usado vai desvalorizar uns 4%. Ou seja, o desembolso para a compra do carro novo será ligeiramente maior!

Fora isso, imaginem os milhares de lojistas de carros usados, que irão ver o seu estoque perder de 4% a 6% de valor com uma canetada. Vislumbramos quebradeiras de várias lojas no curto prazo!

É…. aguardemos as cenas dos próximos capítulos!

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Raphael Galante Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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