O preço do carro novo está muito caro? Também é culpa do consumidor mais exigente

O comprador de carros mudou no Brasil. Ele está mais exigente e, acima de tudo, mais conectado. E aí não tem jeito, isso custa – e muito

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Caros leitores, digníssimas leitoras: antes de vocês decidirem antecipar o dia de “malhar o judas” neste vil estagiário, vamos a alguns pontos.

Existem “n” fatores que explicam os sucessivos aumentos no preço dos carros novos, que se descolou completamente da realidade do brasileiro: falta de semicondutores, falta de peças, aumento de custos indiretos (energia, dissidio etc.), o bônus dos executivos no final do ano…

Mas um desses fatores é fato de que o consumidor mudou. Ele está mais exigente e, acima de tudo, mais conectado. E aí não tem jeito, isso custa – e muito.

E não adianta você ir atrás para dar uma gambiarra. Você não consegue substituir o seu celular iPhone/Samsung por um Positivo, por exemplo!

Então, os brothers lá da Webmotors fizeram uma pesquisa bem bacana sobre o assunto.

Na verdade, eles comprovaram o óbvio ululante! Todo mundo quer aquilo que é bom!

Fugindo um pouco do assunto, mas ainda dentro do setor automotivo, por exemplo, a participação de carros automáticos vendidos vem crescendo constantemente nos últimos 15 anos!

E a mesma coisa acontece quando falamos sobre conectividade. Hoje, o celular é uma extensão do corpo de um homo sapiens. E nada mais pertinente do que você acoplar o aparelho no seu carro.

Segundo a pesquisa da Webmotors, 61% dos entrevistados acredita que uma central multimidia com touch screen e espelhamento do celular é super-mega-blaster importante para se ter no carro.

Assim como alguns itens de segurança, como sensores de estacionamentos dianteiros e traseiros (63%) e monitoramento de mudança de faixa (36%).

O que a Cris Rother, CMO da Webmotors, nos explicou é que:

“No passado, as pessoas que precisavam de um veículo, mas tinham um orçamento mais limitado, acabavam optando por adquirir um veículo mais básico, os chamados “carros de entrada”. Com o avanço da tecnologia, percebemos uma mudança no perfil do consumidor. Hoje, o comprador entende que adquirir um carro com itens de conectividade pode se tornar um investimento com retorno na hora de vender esse veículo”.

Ela foi um pouco mais além:

“Um zero-quilômetro básico hoje não sai da concessionária por menos de R$ 60 mil. Enquanto isso, um modelo usado em ótimo estado, com diversos itens que garantem a comodidade do motorista, acaba custando o mesmo preço”.

Só achei que a Cris “foi gentil demais” na hora de falar que um carro 0 Km novo não sai por menos de R$ 60 mil da concessionária – faltou uns 10 contos nesse cálculo.

Fora o retorno na hora da venda, como apontou a Cris, existe toda uma comodidade gerada.

Vivemos num mundo cada vez mais conectado e queremos levar isso para todo lugar em que andamos, inclusive no carro nosso de cada dia.

Um estudo feito nos Estados Unidos, em 2017, apontou que os carros conectados movimentaram US$ 212 bilhões em funcionalidades como procurar e pagar por combustível, pedir comida, procurar e pagar por estacionamento, entre outras facilidades.

Esse é um caminho sem volta, e vai levar os carros pé-de-boi à extinção no mercado tupiniquim.

Mas o “mais-melhor-de-bom” da pesquisa da Webmotors é que eles responderam àquela pergunta de um milhão de dólares.

Qual foi a grande resposta que o estudo apontou?

72% dos entrevistados NÃO estão dispostos a abrir mão de itens de conectividade, mesmo que seja para baratear o custo dos modelos.

É amiguinhos, o mundo está mudando, o mercado automotivo vem mudando, mas – infelizmente – o meu bolso continua o mesmo. O Paulinho precisa dar um jeito aí nos paranauês da economia.

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.