O carro brasileiro é caro! Mas…

Uma tentativa de “talvez” justificar o preço do carro.<span> </span>

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OK, caro leitor! Você está certo, e eu concordo com você! Os preços dos carros brasileiros são altos e exorbitantes, se comparados com o mercado lá fora – no tocante, o americano.

Basicamente é um atentado ao consumidor brasileiro.

Podemos elencar aqui vários fatores, tais como: a carga tributária (em partes), o lucro das montadoras (em grande parte), o lucro das concessionárias (acabou a parte), a cotação do câmbio e por aí vai. Da mesma forma, também podemos reclamar do consumidor brasileiro, que se sujeita e aceita pagar tão caro pelo carro.

Mas eu queria abordar um outro ângulo com vocês.

É o “MAS”, pois afinal de contas, em tudo na vida sempre existe um “MAS”.

Em geral, os carros vendidos no EUA correspondem por 2/3 do preço do vendido no mercado brasileiro. Ou seja, levando em conta que o preço do carro americano já considera uma margem de lucro “normal” da montadora, da concessionária e do governo, pagamos um “plus-adicional-a mais” de 1/3.

Na foto abaixo, mostramos o quanto vale um Hyundai Elantra. Ele tem o preço de tabela de US$ 21,65 mil, com os acessórios sai por US$ 22,81 mil, mas o concessionário atualmente dá um bônus de US$ 2mil. Ou seja, esse Elantra custa nos EUA US$ 20,81, ou, na conta de “padoca” com um dólar a R$ 2,70, custa quase R$ 56 mil. Um “similar” no Brasil, passa da casa dos R$ 84 mil, dando aquele conceito de 2/3.

Comprovamos aqui o que todos acham –  e concordamos. Vamos tratar agora do “MAS”:

O preço do carro brasileiro é caro, MAS O ATENDIMENTO PRESTADO É CAMPEÃO.

Voltando ao mercado americano: oK, o carro é 1/3 mais barato que o nosso, mas… o ATENDIMENTO! Dios Mío!! Como funciona o processo de compra? O que pensamos é que o consumidor vai até a concessionária, entra no showroom, escolhe um carro e inicia-se o processo de compra. Certo? Errado!

No modelo americano (faça sol, chuva ou neve), a venda começa na rua! Ou seja, os vendedores ficam do lado de fora da concessionária, esperando o consumidor, onde começa processo de compra e somente quando já está quase finalizado, é que o consumidor “tem a autorização” de entrar na concessionária para assinar a documentação.

Não acredita?

Veja a maquete do pessoal da Toyota de como estão recomendando a construção das novas concessionárias da marca. Perceba que eles fizeram um tipo de “pré-showroom”, onde o consumidor pode ver os veículos um pouco mais protegido do tempo. Mas, mesmo assim, é fora da concessionária.

Assim, no modelo brasileiro, todo aquele conforto que temos na revenda de ver calmamente o carro exposto, fazendo um “walk-around”, explorando por completo, o ar-condicionado, os folhetos com fichas técnicas, os displays de cores, o cafezinho, água, wi-fi, não existe lá. Só na hora de assinar o contrato.

E como é a oficina das concessionárias de lá? Aqui, temos em geral uma oficina limpa, com o chamado “piso epóxi alto-nivelante”, os padrões/guides da marca, além de mil outras facilidades. Lá, em uma definição simplista das oficinas, seria algo do tipo: “mecânico da esquina”.

Você, caro leitor, vai falar que aqui existem boas e má concessionárias, que o amigo do amigo foi até a concessionária XYZ e teve uma péssima experiência. É lógico que isso existe! Mas, em geral, temos muito mais boas concessionárias do que más. Quer um exemplo?

Já que falei da Hyundai lá em cima do texto, vou falar dela aqui novamente. Se você imaginar todas as concessionárias Hyundai do mundo, a melhor concessionária (segundo a montadora) em prestação de serviços ao consumidor fica no Brasil. Sim! É a concessionária Grand Korea de Fortaleza. Ela foi premiada como a melhor concessionária do mundo.

Como esta, temos diversos graus de excelência em outras marcas, aqui no Brasil.

Finalizando: Concordo 100% com vocês. O preço do carro brasileiro é CARO! Mas o atendimento é campeão. E, mesmo assim, isso não é justificativa para o preço do carro ser tão alto.

 

PS: A comparação com o modelo americano só vale para marcas de volume (Ex.: GM, FORD, Hyundai, Toyota). Marcas “premium” (Ex. M. Benz, BMW, Lexus) não entram nesta análise.

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.