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No meio do “caos automotivo”, só a jabuticaba salva!

A esperança do setor automotivo está no consórcio.

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
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O produto consórcio – a nossa jabuticaba – nunca esteve tão em foco, ultimamente. Na semana passada, foi firmado um acordo operacional entre três principais associações que atuam no setor automotivo: ANFAVEA (fabricantes), FENABRAVE (concessionárias de veículos) e ABAC (administradoras de consórcios). O intuito delas é fazer com que o consorciado contemplado adquira um veículo.

Mas, afinal de contas, o que está acontecendo com o setor automotivo e porquê o interesse na nossa jabuticaba?

O que notamos é que o sistema bancário, mês após mês, vem se retirando da operação “financiamento de veículos”. Os dados que coletamos junto ao Banco Central mostram isso.

Segundo o BC, os saldos das carteiras de crédito para financiamento de veículos em março deste ano, eram de R$ 205 bilhões, o que representava um volume 7,3% a menor do que há 12 meses atrás (R$ 221bilhões) ou -13% sobre a posição de 24 meses atrás (R$ 236 bilhões), ou ainda queda de 16% sobre os dados de 36 meses atrás (R$ 244 bilhões).

Em resumo, os saldos das carteiras de crédito estão em queda há mais de três anos, conforme gráfico abaixo:

O que vislumbramos é que, desde a grande crise financeira de 2008/2009 (a nossa “marolinha”), o sistema financeiro deu um corte na oferta de crédito de veículos (talvez já vislumbrando um cenário negativo à frente). Neste contexto, o sistema de consórcios – no tocante ao segmento de veículos leves – deu um salto enorme!

Quando pegamos o histórico do setor nos últimos 20 anos, nota-se que o período de 2001 até 2008 foi crítico para o setor. Somente a partir de 2009 que o sistema entrou numa curva ascendente.

Mas o que foi que aconteceu? Aconteceu que, já a partir de 2008/2009, o crédito para veículos vinha mês após mês ficando mais restritivo. Ainda havia crédito, mas não aquela “farra” como nos anos anteriores. O crédito ficou mais “seletivo”. Além disso, o boom do sistema de consórcios deu-se com o empenho de algumas administradoras que aproveitaram o momento para alavancar o produto (o destaque aqui vai para o pessoal do Bradesco, GM e VW).

Ou seja, as administradoras de consórcios (sejam elas ligadas a montadoras ou a instituições financeiras), começara a POUPAR CLIENTES!

Além disso, os consumidores ficaram mais responsáveis. Eles pararam; analisaram; fizeram conta e começaram a programar a troca do seu veículos (a tal da “Educação Financeira”).

Vamos quantificar?

No ano “santo” de 2008, o sistema de consórcios tinha algo próximo a 860 mil participantes ativos. Já em janeiro desse ano, estamos com quase em 3 milhões de participantes ativos, ou um singelo crescimento de 250% em seis anos. O gráfico abaixo mostra essa evolução:

O crescimento de participantes em consórcios é ótimo para o sistema e, principalmente, para as montadoras/concessionárias de veículos.  Mas, como dissemos, parece que o pessoal acordou e está começando a POUPAR CLIENTES!

Como assim?

Bem… temos três milhões de participantes ativos. Desse total, quase 1,5 milhão ainda não foi contemplado. Ou seja, hoje existe 1,5 milhão de consorciados que estão “poupando” para comprar o seu veículo. São potenciais consumidores que estarão no mercado de consumo de carros, nos próximos três anos.

Vamos quantificar novamente?

E porquê algumas entidades como a FENABRAVE e ANFAVEA se uniram em prol de dar um destaque ao sistema de consórcios? Bem… segundo o Banco Central, em janeiro deste ano existiam mais de 223 mil consorciados contemplados que ainda não utilizaram o seu crédito.

Resumo: EXISTEM MAIS DE 223 MIL CLIENTES COM DINHEIRO NA MÃO, PARA COMPRAR UM CARRO, MAS QUE AINDA NÃO FIZERAM A COMPRA!

Meu amigo(a), se você é um deles, você passou a ser o “BFF” das montadoras ou do concessionário da sua região. Talvez  você não queira comprar um carro.  Mas, no atual momento de quedas acentuadas nas vendas, pressão sobre as margens e  com dinheiro na mão para comprar à vista, a probabilidade de você fazer um excelente negócio é grande.

Para o setor automotivo (fabricantes e concessionárias) chegou o momento de  olhar outros setores da cadeia automotiva.  Como dissemos em post anterior, a concessionária de veículos está virando concessionária de serviços (leia aqui). Comentou-se no setor (nesta semana), sobre o fechamento de mais de 250 concessionárias e de mais de 10 mil postos de trabalhos. Além disso, algumas fábricas estão dando férias coletivas, abriram PDV e nem reza brava vai ajudar esse povo.

O sistema de consórcio é nosso! Bem ou mal, é a nossa jabuticaba e tem quem goste e quem não goste. Ele já está incorporado à cultura do brasileiro. Tem a sua atratividade e, sabendo-se trabalhar com o produto, consegue-se rentabilizar a sua operação. Chegou o momento das montadoras (e mais ainda as concessionárias) alavancarem este produto, como uma forma de POUPAR CLIENTES, gerar fluxo de clientes para as concessionárias/marcas e alavancar receitas com o “I” do “F&I”.  Vai resolver o curto prazo? Lógico que não! Mas vai garantir uma poupança lá frente e, talvez se tivéssemos feito o nosso trabalho de casa lá atrás, as mais de 250 concessionárias e 10 mil postos de trabalhos não teriam sido fechados…

Você deve estar pensando que eu não bato bem da cabeça? Bem… é meia verdade! Mas vamos exemplificar.

Vou usar como exemplo a nossa aberração (no EXCELENTE SENTIDO) mercadológica que é a Honda motos.

A Honda motos, na média dos últimos trinta anos, teve uma participação de mercado de “apenas” 80%. Qual marca se mantém na liderança por trinta anos com Share de 80%? Mas, vamos lá:

A Honda, em 2014, vendeu 1,16 milhão de motos e possui na base da sua administradora (apenas a administradora ligada a montadora) um total de 2,22 milhões de consorciados. Neste trimestre, o volume mensal de vendas de motocicletas da Honda é de 96 mil motos/mês. Ela tem na sua base, algo próximo a 850 mil consorciados que ainda não foram contemplados ou quase 9 meses de vendas garantido. Isso sem contar as outras administradoras de consórcios que vendem produto Honda. A Honda fez a sua lição de casa, lá atrás, e hoje desfruta de um Share de “módicos” 80% ao longo dos últimos trinta anos.

Sabe quando a Honda vai perder a liderança do mercado de motos? NUNCA! Salvo apenas se acontecer uma hecatombe lá na zona franca…

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.