Na recuperação do setor automotivo, quem se destaca é o “patinho feio”: os carros usados

A maioria dos analistas imaginava que o mercado de usados era o que sofreria mais com os efeitos da pandemia... ledo engano!

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Caros leitores, digníssimas leitoras: em outubro as vendas de carros ultrapassaram pela primeira vez no ano a singela marca dos 200 mil unidades em um único mês.

No mês passado, tivemos 205 mil carros vendidos. Esse resultado foi 3,25% maior que o registrado no mês de setembro, quando tivemos 198,8 mil carros vendidos.

Apesar dos bons resultados que o setor vem registrando desde do tombo de abril-maio, o mercado ainda está 15% abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano passado. Em outubro de 2019, tivemos 241 mil carros vendidos.

Com isso, no acumulado do ano, temos 1,504 milhão de carros vendidos, contra 2,178 milhões sobre o mesmo período do ano passado, queda de 30,9%.

A projeção que fazemos para o mercado é que o setor automotivo deverá encerrar o ano com um volume ligeiramente abaixo da casa dos 2 milhões, o que representará uma queda de 26,6% em relação a 2019.

Bem diferente do crescimento previsto pela indústria há um ano, quando foi previsto que as vendas seriam de 2,8 milhões de unidades em 2020, com crescimento de 5,5%.

Mas o que ainda mantém o crescimento do setor é o crédito! Tirando o problema de abril-maio, quando toda a economia “travou”, o volume atual de crédito é surpreendente.

O atual volume de crédito está 7% maior sobre o mesmo período do ano passado, ou mais do que o dobro, quando comparamos sobre o mesmo período de três ou quatro anos atrás.

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Mas o que vem ganhando destaque no setor automotivo é a demanda por carros usados. A maioria dos analistas imaginava que o mercado de usados era o que sofreria mais com os efeitos da pandemia… ledo engano! O mercado de carros usados é o que mais vem se sobressaindo nessa retomada do setor automotivo.

Os atuais volumes (principalmente em setembro-outubro) já são iguais ao do ano passado (quando não são maiores). As vendas de veículos novos (com todas as benesses de bancos, governo, montadoras e afins) vão apresentar tombo de 27%. Já o “patinho feio” que é o mercado de usados vai sofrer retração de 16%, ou 11 pontos percentuais a menos do que o mercado de novos.

A turma que trabalha com usados está com um sorriso de orelha a orelha. Estão vendendo bem, falta carro, e, consequentemente, o ganho vai muito bem, obrigado! Ou seja, o mercado de usados está seguindo a lógica do velho conto dinamarquês: aquele “patinho feio” está virando um belo cisne!

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.