MUDANÇA DO PERFIL DO CONSORCIADO

Com o aumento na restrição de crédito para a vendas de veículos - em geral - o setor de consórcios vem ganhando corpo!

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Segundo as últimas informações coletadas, podemos afirmar, que o sistema de consórcios entrou na sua 3º geração.

O que isso quer dizer?

O produto consórcio com mais de 50 anos de vida, genuinamente brasileiro, iniciou-se suas atividades num momento onde a oferta de crédito era muito restrita, basicamente “nula”. Durante a década de 70, as pessoas se cotizavam para poderem fazer a aquisição dos mais diversos bens.

Na primeira geração do consórcio, até início da década de 90, o consórcio era utilizado para a aquisição de eletrodomésticos e eletroeletrônicos, neste cenário, a SHARP, através da sua administradora de consórcio, foi a empresa que se consolidou no mercado nacional. Afinal de contas, que não teve um videocassete SHARP na sua casa?

A segunda geração do produto consórcio iniciou-se por volta de 1994/1995 com a implementação do Plano Real. Naquele momento é inegável que houve significativa melhora na economia nacional com o fim (???) da mega-hiper-blast-inflação. O consumo iniciou-se nesse período. Um dos pontos primordiais foi o crescimento do setor de motocicletas. As vendas de motocicletas no período de 1994 até 2008 registrou crescimento médio de 25% ao ano! E o desenvolvimento do setor de motocicletas só ocorreu por causa do consórcio. De fato, sempre afirmamos que o sistema de consórcio só é o que é por causa do setor de motocicletas e o setor de motocicletas só é o que é por causa do produto consórcio.

Parece bobagem? Mas nesse período das mais de 11,5 milhões de motos vendidas, 52% foram feitas através do sistema de consórcio.

Fazendo uma breve introdução, o plano Real em 1994, mudou toda a economia nacional e durante a década seguinte, com as consolidações das bases macroeconômicas, o Brasil pode finalmente apresentar algum crescimento econômico. E, após essa consolidação dos fundamentos, o setor de quatro rodas pode vivenciar todo esse bom momento. Praticamente eles mais que dobramos o nosso volume de vendas em 10 anos, o que é muito significativo.

A chave motriz nesse período foi o aumento da oferta de crédito. Porém, uma vez saciada a gana do consumidor em comprar bens e serviços neste primeiro momento, visto que ele estava a margem do mercado consumidor, aliado a uma maior restrição de crédito e, principalmente, a uma reeducação do consumidor com a utilização de conceitos de boas prática financeiras, o consórcio de veículos leves entrou num ritmo forte de vendas a partir de 2008, mas somente neste ano é que podemos afirmar que ele chegou e se consolidou.

 

 

Atualmente o Sistema de Consórcio registra mais de 5,9 milhões de consumidores participantes sendo 2,45 milhões apenas de veículos leves.

E, a aceitação do produto consórcio está em alta! Segundo a CETIP, do total de carros novos, vendidos financiados no primeiro semestre deste ano, aproximadamente 20,5% foram adquiridos através de uma cota consórcio. Ou seja, a cada 5 carros vendidos através de financiamento, 1 foi através do sistema de consórcios.

A conta é mais positiva ainda! Segundo a ABAC, nos primeiros cinco meses deste ano foram comercializados mais de R$ 15,44 bilhões em cartas de crédito de veículos leve. Além disso, o sistema de consórcios possui mais de 1,5 milhão de consumidores que pagam uma cota de consórcio e ainda não retiraram o seu bem.

A perspectiva de melhora do setor automotivo para 2016 (sim! o setor só melhora a partir de 2016) deverá ter parte do seu crescimento sustentado pelo produto consórcio.

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.