Mercado automotivo de luxo – Onde o câmbio não tem vez!

Onde a flutuação do câmbio não atrapalha as vendas

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Caro leitor, você que acompanha os textos que colocamos aqui no blog,  já percebeu que nós temos uma visão “rodriguiana” do cenário automotivo… Ou seja, simplesmente mostramos “a vida como ela é”!  E, como vocês já leram, o setor automotivo vive um “caos”.

Parte deste “caos” é em decorrência do detrimento do cenário macroeconômico dos últimos anos. Mas, após uma série de matérias com viés negativo que fizemos – o qual era a única forma de trazer os fatos em si – , optamos por fazer um post com viés positivo.

Neste cenário, vamos falar do ADORÁVEL MERCADO DE CARROS DE LUXO!

Enquanto o dólar americano sofreu um aumento médio de uns 40% nos últimos 12 meses, o que gerou os mais diversos impactos negativos em diversos setores industriais,  inflação e por aí vai…, no adorável “Mundo de Caras”, onde existe  demanda por carros de luxo, isto não é problema!

Sempre tivemos essa visão e sempre compartilhamos estes conceitos com vocês, de que o mercado de carros de luxo não sofre com a crise”, “são imunes à crise” e etc. Mas, sendo bem sincero, pensávamos que neste ano seria diferente… pensávamos…

Vamos comprovar os nossos argumentos: para tanto, consideramos o seguinte: veículos com preço de venda acima de R$ 65mil  (não entram na lista as picapes).

Como está o mercado automotivo neste primeiro trimestre? Retração de -16,4%, com 647,5 mil veículos vendidos neste ano contra 774 mil veículos do primeiro trimestre do ano passado.

E as vendas de carros de luxo?

Pelas nossas contas, o mercado de luxo neste primeiro trimestre vendeu 94 mil  veículos (14,5% do total vendido) gerando uma queda de -8,2% sobre o mesmo período do ano passado, quando tivemos 102,5 mil carros comercializados (13,2% do total vendido).

Mas o mercado de luxo não é imune a crises? Sim, é! E mesmo com uma queda nas vendas de -8%, o número ainda é bom. Então decidimos fazer uma nova quebra nos nossos dados.

Você comprando um Fiat Fremont, Ford Fusion, VW Tiguan, estava dentro do nosso escopo inicial. Mas, afinal de contas, no adorável mundo de carros de luxo, não basta eu comprar um carro alemão de luxo como um VW Passat. Eu preciso ter uma “estrelinha” em cima do meu capô. Ou, então, eu preciso ter um “adesivinho” no vidro traseiro do meu carro do tipo: “welcome to the top”. Nada contra o carro alemão da VW, mas somente as outras duas marcas alemãs me dão o que “eu realmente necessito”.

Então o que fizemos? Dentro deste nosso mercado de Luxo (94 mil carros vendidos), separarmos aquilo que é PREMIUM e o “resto”.

E o que encontramos no nosso mercado PREMIUM? Bom… algumas marcas, como a Audi, que está com crescimento de 22,6% neste primeiro trimestre com 3,5 mil carros vendidos. Assim como a Jeep (ainda sem o seu novo carro), que registrou crescimento de quase 130% neste ano.

O nosso carro da “estrelinha” no capô, com quase 3 mil veículos vendidos neste ano, registra crescimento de 23%. Além disso, outras marcas como Subaru, Volvo e Lexus, por exemplo, estão com resultados positivos no meio deste caos automotivo.

O nosso mercado PREMIUM deste ano foi de quase 75 mil carros contra 72,5 mil do primeiro trimestre do ano passado, crescimento de 3,2% num mercado recessivo de -16% e com um aumento do dólar na casa dos 40%.

E as outras marcas, ou seja, o nosso “resto”? Elas estão registrando retração de quase -36% em suas vendas… E, aqui, entra também outro conceito que já trabalhamos: todos são carros de luxo, mas uns, são MUITO MAIS CARROS DE LUXO que os outros…

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.