Melhores do ano: como os carros usados viraram ouro em 2021

Se num passado não tão distante o mercado de carros usados era “a ovelha negra da família”, isso vem mudando nos últimos tempos

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Caros leitores, digníssimas leitoras,

Em nossa retrospectiva de 2021, um dos grandes destaques foi o de mercado de carros usados. Se num passado não tão distante o mercado de carros usados era considerado o patinho feio do setor, ou no melhor estilo Rita Lee de ser, “a ovelha negra da família”, isso vem mudando nos últimos tempos.

De fato, o pessoal do setor brinca que o carro usado virou ouro, tamanha é a procura/demanda por ele (fora o ganho que as empresas estão tendo na revenda do veículo).

Mas, o que aconteceu para essa reviravolta?

O primeiro item que sempre devemos levar em consideração é que o brasileiro é apaixonado por carros. E aqui o primeiro ponto é ajustarmos o conceito de “carros”: pouco importa se é novo ou usado. O sonho do carro novo era mais latente há 10 anos. Hoje, o que importa é ter um carro.

Neste ano, o mercado de carros novos vai oscilar entre um crescimento microscópico (se acontecer) até uma retração de 0,5% – o que seria (será) o nosso segundo ano consecutivo de queda nas vendas.

E o mercado de carros usados? Teremos “só” um crescimento entre 19% a 20%.

Enquanto um setor definha, o outro trabalha intensamente!

Quando somamos “alhos com bugalhos”, nota-se que o mercado de compra e venda de carros irá registrar um crescimento próximo a 16%.

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Em 2021, deveremos ter 13,2 milhões de unidades comercializadas. O que deixaria o resultado deste ano como o terceiro melhor da série histórica. Convenhamos, para um ano “meio-pandêmico”, o resultado “tá bão demais”!

E esse “terceiro” melhor resultado é meio enganoso, já que ele aponta a média. A leitura do gráfico mostra que as vendas de carros novos estão no seu pior resultado dos últimos 15 anos.

Já as vendas de carros usados estão no seu melhor resultado “forever and ever”! Nunca se vendeu tanto carro seminovo como neste ano.

De fato, o mercado de venda de carros estará quase voltando ao seu melhor resultado (2014). O que houve foi a mudança no perfil da compra do carro.

Há uma década, a participação do carro novo oscilava entre 25% a 30%. Hoje, ela se encontra no seu pior resultado. Menos de 15% de todos os carros que foram vendidos no mercado brasileiro foi de carros novos.

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E qual o motivo desta reviravolta? O grande ponto foi que montou-se o cenário perfeito no mercado de usados.

Para começar, os agentes financeiros estão despejando muito dinheiro para o financiamento de veículos. E eles estão ampliando cada vez mais o leque do que pode ser financiado. Se antes eles aceitavam carros de três-quatro anos (desde a data de fabricação), hoje carros de até 10 anos entram fácil no sistema financeiro para serem alienados.

Outro ponto que auxiliou o mercado de usados foi o desempenho de nossa tragicômica economia nestes últimos oito anos. Apesar de todos os pesares, deveremos fechar esse ano com crescimento por volta de 4,5% no PIB. Isso impactou no mercado da venda de carros – mas, principalmente, o mercado de seminovos.

Por fim, basta acrescentar a pisada na bola que as montadoras deram quando fecharam o seu budget de 2021. Quase todas erraram feio. E as que “não erraram tanto”, tiveram a demanda por seus produtos aumentada pela saída da Ford, que deu de “mão beijada” um nicho de 120 mil veículos novos.

E aí, todo mundo sabe o que rolou: a falta de peças foi generalizada e houve “pobremas” para a produção dos carros novos. Ou seja, com a baixa oferta (produção) de carro zero Km, o encarecimento dos mesmos devido à pressão inflacionária (fora a legitima e única lei do mercado: demanda versus oferta), aliados a uma forte demanda por veículos, tivemos o encarecimento dos produtos novos, o que gerou a migração do consumidor para o mercado de usados.

Então, presenciamos alguns fatos nunca ocorridos na história recente do mercado automotivo…

Um exemplo é a forte valorização do carro usado (por volta de 20%) neste ano. Alguns produtos chegaram a valorizar mais de 30%. Outros pontos foram: o consumidor (na sua grande maioria) pagará um IPVA mais alto em 2022 do que ele pagou neste ano. Para aqueles que transacionaram o seu veículo, existe a possibilidade real de se pagar Imposto de Renda pelo ganho de capital. Tudo isso causado pela forte valorização do mercado de usados.

E a tendência é que isso se mantenha em 2022, com um possível resfriamento só para o final do ano.

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Mas se têm alguém chorando (a indústria), sempre tem alguém vendendo lenços! E aí tivemos as AUTOTECHS. Empresas como: Creditas Auto, InstaCarro, Karvi, Kavak e Volanty surfaram neste crescimento. E, se mantiverem o foco, a possibilidade de se tornarem players de grandes proporções é imensa.

O ano de 2021 está se encerrando e o mercado de veículos usados deixou de ser o patinho feio para se transformar num belo cisne. Na verdade, para aqueles que souberam aproveitar o momento, ele se transformou numa fonte excelente de lucro.

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.