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INVESTIMENTO EM VEÍCULOS PESADOS CRESCE R$ 5 BILHÕES NESTE ANO

Num semestre onde as vendas de veículos leves entram em trajetória de queda e as de motocicletas estão "ladeira abaixo" os investimentos em veículos pesados vai na contramão do mercado.

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Nos últimos meses, quem acompanha noticias sobre investimentos, vem percebendo “certo pessimismo” por parte do empresariado sobre o cenário futuro. De fato, uma das últimas pesquisas da FGV afirmava que 17% das empresas estavam sem programas de investimentos.

Porém, verificando alguns dados do setor automotivo, o resultado é bem diferente deste. Quando analisamos – no tocante às vendas de veículos pesados (caminhões, ônibus e máquinas agrícolas) –  o cenário é muito otimista!

Neste primeiro semestre, as vendas (das seis principais marcas: VW, Ford, Scania, M. Benz, Volvo e Iveco) de caminhões foram de 73 mil unidades, contra 67,4 mil do primeiro semestre do ano passado, gerando crescimento de 8,2%. Ou 5,6 mil unidades a mais.

Pode parecer pouca coisa em unidades. E, de fato, é! Porém, essas 5,6 mil unidades representaram um crescimento  (em unidades monetárias) na ordem de R$ 2,242 bilhões. As vendas de caminhões neste primeiro semestre totalizaram o montante de R$ 15,81 bilhões, contra R$ 13,57 bilhões do semestre anterior, crescimento de 16,5%.

Os dados de caminhões por si só são excepcionais. Mas, se a gente olhar com “um pouco mais de carinho”, encontramos informações mais interessantes…

Dentre as seis marcas que analisamos, destacamos o desempenho da Scania e da Volvo. A Scania registra neste semestre crescimento de 106% nas vendas. Ou seja, ela praticamente dobrou de tamanho. No caso da Volvo, ela registrou crescimento de 37%.

Mas, porque dessas duas marcas? O foco das duas marcas está na venda de caminhões pesados e extra-pesados. O caminhão médio comercializado pela Scania é na casa de R$ 325 mil e o da Volvo próximo a R$ 300 mil. Ou seja, o crescimento nas vendas de caminhões está ocorrendo em produtos que chamamos de “bens de capital”. O grande ícone deste ano é o modelo R440 da Scania, o caminhão mais vendido dentre todas as marcas com preço oscilando entre R$ 320 mil e R$ 380 mil.

O R440 é um caminhão muito especifico com capacidade de carga na ordem de 60 toneladas, ou seja, realmente estamos vivenciando significativo aumento dos investimentos. Investimento produtivo ou então aumento da eficiência produtiva. O fato é que, analisando as informações do setor automotivo, temos um cenário positivo.

Além do setor de caminhões, outro que registrou crescimento significativo é o de máquinas agrícolas. Este ano as vendas de máquinas agrícolas registraram crescimento médio de 29,5%. 41,1 mil unidades vendidas neste semestre contra 31,8 mil do semestre passado. Este deverá ser o melhor ano de vendas de máquinas agrícolas.

Mas, novamente, “olhando com mais carinho”, registramos o crescimento nas vendas de “colheitadeiras”, que apresentou evolução de quase 70% neste primeiro semestre. No primeiro semestre do ano passado foram 2,3 mil colheitadeiras contra quase 4 mil deste semestre, crescimento de quase 1,6 mil unidades. Mas estamos falando de produto com valor de aquisição próximo a R$ 1 milhão, ou seja, este ano, o setor faturou a mais R$ 1,92 bilhão somente nas colheitadeiras.

Outro segmento que registra crescimento importante é o segmento de ônibus. O segmento, em geral, apresenta ciclo de vendas de 4 anos. Neste ano, todas as previsões apontavam para uma nova queda nas vendas, contudo não é o que está ocorrendo. Com 15,5 mil unidades neste semestre as vendas registram crescimento de 5,2% sobre o mesmo período do ano passado.

Finalizando, as vendas de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas estão “bombando” numa indústria que apresentará queda nas vendas de veículos leves e motocicletas. Além disso, esse aumento nos investimentos impacta num crescimento em diversos outros setores. O crescimento nas vendas de ônibus está impulsionado o desempenho das “encarroçadoras” de ônibus e as vendas de caminhões e máquinas agrícolas impulsionam a venda de implementos rodoviários.

Podemos estar vivendo – atualmente – uma crise de confiança com o país, mas não é isso que o setor de veículos pesados está mostrando.

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.