Enquanto o pessoal de auto sofre, vendas de máquinas pesadas avançam 60% em 2022

O lado “mais-melhor-de bom” desse crescimento é que ele é um forte sinalizador dos investimentos em construção, mais precisamente em infraestrutura
Por  Raphael Galante
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Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Caros leitores, digníssimas leitoras,

Como ainda estamos com o nosso “mode Poliana” ligado, vamos tentar trazer até vocês boas notícias sobre o setor automotivo.

O nome deste vil espaço é “O Mundo Sobre Muitas Rodas”. Então, vamos tratar de um setor altamente negligenciado pela mídia: o segmento de máquinas pesadas.

E qual é a grande novidade que trazemos?

Com crescimento médio de 60% sobre o ano passado, o setor de veículos da linha amarela deverá ser o grande destaque deste ano. Esse deverá ser o melhor resultado do segmento nos últimos 10 anos!

E, diferentemente de automóveis, esse ano será o quinto ano consecutivo de crescimento nas vendas!

Logicamente que o digníssimo leitor deve estar se perguntando: “Que raios é ‘linha amarela’?!”

Se o digníssimo leitor for carioca: não, não estamos falando da Avenida Carlos Lacerda. E se você for paulistano, também não estamos falando da linha do metrô favorita dos “faria limers”.

No setor automotivo, a linha amarela diz respeito aos veículos “fora de estrada”. Aqueles produtos que são considerados “bens de capital”.

Os grandes exemplos são as motoniveladoras (como a imagem que ilustra o começo deste texto) ou as pás carregadeiras, como esta abaixo:

Como dissemos, o setor deverá encerrar este ano com crescimento próximo a algo entre 65% e 70% sobre o ano passado.

Em 2022, apuramos que a venda média mensal desse tipo de veículo está na casa de 2,6 mil unidades contra a média do ano passado, que foi de 1,6 mil unidades. Isso representa um crescimento de 61%.

Praticamente dobramos o volume de vendas em relação há 10 anos!

Antes que o ilustríssimo leitor questione a quantidade de 2,6 mil unidades (como sendo pouco), saiba que o ticket médio deste tipo de produto – em geral – se concentra na casa de “milhão de reais”, oscilando um pouquinho para mais ou para menos.

Essas 2,6 mil unidades correspondem, em faturamento, ao equivalente a 42 mil Renault Kwid (que é o carro novo mais barato do mercado). E o Renault Kwid, neste ano, vendeu apenas 24 mil unidades. Anualizando a conta, é como se o setor de linha amarela tivesse vendido mais de 10 vezes o volume do Kwid.

Mas o lado “mais-melhor-de bom” é que esse crescimento é um FORTE SINALIZADOR dos investimentos em construção, mais precisamente em INFRAESTRUTURA

Quando existe aquisição nesse tipo de maquinário, temos a certeza de que grandes investimentos/obras (em setores como: agronegócio; rodovias; aeroportos; portos e afins) estão acontecendo.

Em resumo, temos uma sinalização hoje de que o amanhã será “menos complicado”.

E a britânica JCB é uma das que estão surfando neste crescimento.

Segundo Fábio Santos, gerente de desenvolvimento de distribuidores e marketing da marca, “considerando os primeiros seis meses de 2022, a JCB obteve aumento de 30% em vendas no Brasil, comparando com o mesmo período do ano anterior. A previsão é de que o faturamento cresça ainda mais. A expectativa da empresa é fechar o ano com um número de vendas 40% maior do que o registrado em 2021”.

Pois é, enquanto o pessoal de autos está vendendo o almoço para garantir o jantar, tem gente que está sorrindo à toa, e com razão!

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Raphael Galante Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.

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