COMO CONSEGUIR UMA PEQUENA FORTUNA NO SETOR AUTOMOTIVO.

GUIA PRÁTICO E FÁCIL PARA VOCÊ CONQUISTAR UMA PEQUENA FORTUNA, NO MOMENTO ATUAL.

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Quando a gente fala com alguém do ramo automotivo (e aqui vamos tratar apenas das concessionárias de veículos), um dos primeiros questionamentos é de como esse empresário faz para conseguir uma “pequena fortuna” trabalhando no ramo.

O processo é simples e fácil!

Como empresa de consultoria, não deveria “dar de bandeja” essa dica para vocês! Mas, só dessa vez, vamos fazer isso:

Vocês já devem ter lido que as vendas de automóveis e veículos comerciais leves encerram o primeiro semestre com queda de -7,5%.

Mas, como a gente fala do setor automotivo, a conta sempre é muito mais em baixo!

Vamos exemplificar a conta: a queda das vendas (lá na ponta) de algumas marcas está na ordem de -30% a -40%, nos últimos 24 meses.

Como??

A gente vem apontando há muito tempo em diversos ‘posts’, além da queda nas vendas, estamos presenciando o aumento das vendas diretas feitas pelas montadoras. No mês de junho, 30% das vendas dos carros foram feitas através desta modalidade, e a média do ano está em 26,7%. Explicando melhor: No mês passado, a VW vendeu 45,77 mil carros, sendo 23,13 mil através dessa modalidade. Ou seja, de cada 100 carros vendidos pela marca, foram vendidos diretamente quase 49. Os outros 51 carros ficam para serem distribuídos entre às mais de 440 concessionárias da marca.

Ainda no casso da VW, o concessionário da marca viu o seu volume de vendas médio nos últimos 24 meses despencar em mais de -40%. Fazendo a analise apenas das TOP 6 marcas, registramos apenas que a Hyundai foi a única que aumento o seu volume médio de vendas.

 

A lógica aqui é extremamente perversa para as concessionárias do setor automotivo. Quando apuramos qual é a média da Margem de Comercialização deles (em valores monetários), notamos que até a Hyundai apresenta redução desta margem. Ainda utilizando o exemplo da VW e da Hyundai vamos trabalhar um pouco mais esses tópicos. No caso de uma revenda VW, ela viu a sua margem de comercialização despencar em mais de R$ 150mil/mês nos últimos 24 meses. Sua margem atual é de R$ 248mil. Já a de uma concessionária Hyundai (marca que vende -61% menos que a VW) é de R$ 263mil.

Além deles (concessionária Hyundai) ganharem mais, seus custos são bem menores. Vamos fazer um exercício mental? Você leitor, vislumbre a concessionária VW da sua cidade/região. Aposto que ela é BEM grande, né? Agora, veja a concessionária Hyundai. Qual é a maior? Imagine o custo de aluguel de uma e de outra – apenas para parâmetro, na cidade de São Paulo, um ponto “barato” começa na ordem de R$ 100mil.

Isso sem considerar os demais custos, como por exemplo SALÁRIOS!

O gráfico abaixo mostra como evoluiu a margem média de comercialização dos concessionários.

E, sempre no setor automotivo, a situação pode piorar! Vocês devem ter lido que o problema do setor é a falta de crédito, os bancos estão mais reticentes e blá, blá, blá.

Eu pessoalmente sempre tive uma “boa” inveja dos bancos. Eles são um dos grandes sinalizadores do quão boa ou ruim é alguma coisa! A diminuição do crédito ao consumidor não é “um grande problema”. O grande problema é que os bancos (quase todos) estão cortando as linhas de créditos paras as concessionárias. Afinal de contas, se eu vendo uns R$ 3 milhões em carros, não quer dizer que eu, empresário, peguei esse dinheiro do meu bolso e comprei os carros. Eu tenho linhas de créditos junto ao banco, onde em geral eu dou garantias. Pois bem… essas garantias, que antes podiam ser imóveis, já não são mais aceitas pelos bancos. Elas servem como “garantia adicional”. Soma-se ainda que existem bancos que realmente não querem mais emprestar dinheiro aos concessionários. Dificultando enormemente o fluxo de caixa deles.

Entendeu? A conta não está fechando! Basta você andar pela sua região. Provavelmente você verá alguma concessionária que não aguentou o tranco e fechou. O aumento das vendas diretas pelas montadoras tenderá a asfixia ainda mais a sua rede de concessionários, diminuindo assim no longo prazo a sua capilaridade e poder de atuação. Basicamente isso é como uma droga! Faz um efeito maravilhoso no AGORA mas um estrago danado no FUTURO.

A nossa perspectiva para o setor é a mais negativa possível, voltando talvez, para um período 1999/2001 onde tivemos uma quebradeira geral!

Voltando para o título do post, é aqui que vai ficar a dica de ouro: Para você conseguir “uma pequena fortuna” trabalhando no ramo automotivo, basta você começar com uma GRANDE FORTUNA. No final, com sorte, dedicação, suor e muito trabalho, você deve encerrar o seu ciclo com uma pequena fortuna….!

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.