Apesar da economia estagnada, vendas de caminhões crescem 45% no Brasil

Demanda por caminhões e máquinas agrícolas está bem maior que a capacidade de produção. Mas há uma razão clara para isso

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Caros leitores, digníssimas leitoras: se nos últimos textos a gente vem sempre falando em como vem definhando o mercado automotivo (na parte de automóveis), o mesmo não podemos falar quando tratamos sobre o mercado de veículos pesados.

E aqui o foco é a demanda de caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.

Na parte de caminhões, o mercado vai fechar esse ano com crescimento de 45% sobre o ano passado! Será o melhor resultado do setor desde 2015. A perspectiva para este ano é que tenhamos 132,5 mil caminhões comercializados.

Quando a gente conversa com o pessoal (fabricantes de caminhões), o diálogo uníssono é que a produção para 2022 já está praticamente toda vendida. A carteira de pedidos junto às montadoras está entre 6-8 meses para entrega. Ou seja, o ano nem começou e as fábricas estão quebrando a cabeça para aumentar a sua produção e atender a demanda que teremos em 2022.

E qual é o paranauê que vai acontecer?

Por causa da legislação mais rigorosas, os caminhões irão mudar… novos motores; mais eficientes; menos poluentes e, elementar meu caro Watson… “bem mais caros”.

Esse pré-buy, já vivenciamos há 1 década atrás. E o processo é o mesmo.

O gráfico abaixo, entre 2010 e 2012, mostra como foi o período de alteração dos motores dos caminhões para o P7. A área de destaque em vermelho, foi quando o governo meteu o dedo podre no mercado; liberando crédito farto e barato para o setor, com uma depreciação acelerada dos produtos e não se aplicando em cuidar da economia. A economia não decolou, o mercado ficou inundado de caminhões comprados com dinheiro fácil e, nos anos seguintes, as vendas caíram em até 70%.

Já no ano de 2021, estamos entrado no mesmo triênio que tivemos há uma década atrás!

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Se as vendas de caminhões estão bombando, no segmento de máquinas agrícolas, o conceito é o mesmo!

Afinal de contas: Agro é POP; Agro é TECH; Agro é TUDO; AGRO É A RIQUEZA DO PAÍS!

As vendas de máquinas agrícolas deverão fechar esse ano com volume próximo a 56 mil unidades. Crescimento de 20% sobre 2020. Ou o melhor resultado do setor desde 2015.

Apesar de estarmos falando de apenas 56 mil unidades, devemos levar em consideração que o preço de uma colheitadeira – por exemplo – é sempre na casa de milhão de reais para cima. Ou seja: é “o senhor bem de capital”.

Soma-se a isso que novos pedidos junto as montadoras estão com prazo de entrega entre 4-6 meses. Novamente, a demanda por produtos está mais forte do que a oferta.

E convenhamos… a única coisa que dá uma certa “satisfação” ao fazermos as projeções do PIB do Brasil, é fazer as estimativas do PIB do agronegócio…

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Finalizando o nosso mercado de veículos pesados, as vendas de ônibus estão crescendo… mas bem menos que o seus pares. O setor de ônibus fechará o ano com 18,5 mil unidades vendidas e crescimento de 1,5% sobre 2020.

O setor de ônibus foi um dos mais atingidos pela pandemia. Os grandes compradores deste tipo de produto são as prefeituras… e todas elas estão numa pindaíba que só!

E aí, o que achou? Dúvidas, me manda um e-mail aqui.

Calcule os custos para ter um carro
Baixe uma planilha gratuita que compara os gastos de um automóvel com outras opções de mobilidade:
Concordo que os dados pessoais fornecidos acima serão utilizados para envio de conteúdo informativo, analítico e publicitário sobre produtos, serviços e assuntos gerais, nos termos da Lei Geral de Proteção de Dados.
check_circle_outline Sua inscrição foi feita com sucesso.
error_outline Erro inesperado, tente novamente em instantes.

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.