ANO NOVO, MAS TUDO VELHO!!

No primeiro mês de vendas, o setor automotivo começa de forma temerária...

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Encerrado o primeiro mês do ano, tivemos 299,7 mil veículos vendidos, gerando crescimento de quase 1% sobre o mesmo período do ano passado (296,9 mil). 

De fato, o resultado deste mês é incrível por si só! Os quase 300 mil carros vendidos transformaram o mês de janeiro de 2014 no melhor janeiro da história do setor automotivo.

Mas colocando água no chopp do pessoal, esse resultado engana muito…

Houveram muitas mudanças no setor de veículos para este ano. Os novos carros, que serão produzidos em 2014, deverão ter novos itens de segurança que, em geral, gerará um acréscimo médio de R$ 1,5 mil, já incluindo a nova alíquota de IPI que entrou em vigor, também em 2014.

Para ser ter uma ideia, do total de carros vendidos neste mês, 92% foi de carros produzidos no ano passado. Ou seja, as concessionárias de veículos e as fábricas possuem uma alta quantidade de carros 2013 (com IPI menor e sem os novos itens de segurança) em seus estoques.

Para termos uma noção melhor da situação, usaremos como exemplo apenas os três produtos que deixaram de ser produzidos neste ano por não se adaptarem as novas regras de segurança: VW Kombi, VW Gol IV e Fiat Uno Mille; esses três carros venderam quase 14,3 mil unidades (volume maior do que a Toyota vendeu ou quase 5% do total dos carros vendidos).

Um outro ponto percebido é que, algumas marcas que tiveram desempenho muito bom neste ano só conseguiram devido ao estoque de carros do ano passado. Um dos destaques neste mês é a Renault, com crescimento de 26% sobre o mesmo período do ano passado. O único ponto aqui é que, 99,8% do que ela vendeu, foram carros produzidos em 2013.

Talvez seja normal pensar que essa é a regra. Que no começo do ano, todos trabalham com estoque do ano anterior. Em certo ponto, até é! Mas se analisarmos a Honda, com crescimento de 45% nas suas vendas, nota-se que menos de 80% foi de carros 2013, diferente da Renault, que trabalhou com 99,8% ou com a média do mercado, que é de 92%.

O que podemos perceber no decorrer deste ano – até 31 de março – é que ainda teremos muitos “velhinhos” sendo vendidos. Some-se que, com os carros mais seguros (e caros), aumento gradual de IPI (????) e com um crédito ainda reticente, continuamos com a nossa perspectiva de que o mercado deverá  encerrar com retração média entre -3% a -5%.

Mas o que dará a grande dinâmica deste ano, serão as mudanças de Market Share. Fazendo um breve resumo por marca:

  1. VW. – O share da marca despencou 2 pontos percentuais (de 20,5% para 18,4%). A tendência de queda é ainda maior. O Gol G4 e a Kombi (que saíram de linha) corresponderam por 15% das vendas neste mês. A marca realmente precisa urgentemente dar um “UP” no seu portfólio (não acreditamos muito no carro novo da marca);
  2. FIAT – Igual a VW, também perdeu quase três pontos de Share (23,8% para 21%). A vantagem é que, o seu Fiat Uno Mille, tem uma dependência menor (8%).  Além disso, a nova Fiorino cresceu 80% neste mês. Parece que os órfãos da Kombi encontraram um novo veículo.
  3. FORD e GM – As marcas que reformularam seus portfólios continuam bem posicionadas. A FORD ainda registrou ganho de Share. Acreditamos que a segunda posição deste ano seja da GM, desbancando a VW.
  4. No bolo de baixo, provavelmente a Renault não manterá seu fôlego; e a Hyundai continuará aos poucos comendo pela beirada.
  5. Toyota e Honda continuarão sendo o filé mignon do mercado.
  6. E na parte de baixo… bom… ai vai ser um Deus nos acuda!

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.