Adeus ano velho…. feliz ano novo???

As vendas de veículos, como prevíamos, encerraram com queda. Mas o que podemos aprender com tudo isso?

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Como vocês devem ter acompanhado na mídia, e insistentemente aqui no blog, o setor automotivo encerrou o ano com queda nas vendas de -1,62%, praticamente dentro dos -2% que a gente vinha falando desde o final de 2011…

Tivemos a Fiat como líder de vendas, o Gol como o carro mais vendido e o mesmo blá, blá, blá de sempre…

A nossa abordagem vai ser um pouco diferente: neste cenário de queda, vamos falar do que foi destaque. Do que realmente aconteceu de bom para o setor.

Mesmo em queda,  tivemos vários pontos positivos. Todos mencionam a Hyundai e a Toyota como as marcas que roubaram – no bom sentido – o mercado dos outros.

Sim, isso ocorreu! Mas o grande destaque para nós, foi o desempenho de outras marcas. Vamos começar:

Como já havíamos abordado (em textos aqui no blog), as marcas de luxo (importadas) bombaram!! Começando por ordem alfabética: A Audi encerrou o ano com 6,6 mil carros vendidos, tendo um crescimento de 38% sobre o ano passado. A BMW (que futuramente terá fábrica aqui), vendeu quase 14 mil veículos, tendo assim uma incrível evolução de 60% sobre o ano passado. A Dodge teve crescimento de +30%, assim como Land Rover com seus 10,6 mil carros vendidos e crescimento de 32%. A força da marca alemã novamente foi representada com os 13,1 mil carros vendidos da M. Benz e 25% de crescimento.

E porquê estamos focando no segmento de importados? Bem, todas as marcas de luxo tiveram bom desempenho no ano de 2012 e também em 2013. Se considerarmos que tivemos um mercado adverso, o resultado delas foi sensacional! Outro fator, é a movimentação que estamos verificando. Atualmente, temos no Brasil dois grandes grupos de concessionárias de veículos que são administradas por empresas americanas do ramo automotivo, que possuem capital aberto, e ações negociáveis na bolsa! Da mesma forma que tivemos o anúncio do investidor americano, Marshall Cogan, juntamente com um fundo asiático, de investir a bagatela de R$ 1 bilhão na abertura de novas concessionárias das marcas (BMW, Audi e M. Benz), que, por acaso, anunciaram a intenção de produzir localmente os seus veículos. O que acreditamos é que,  no médio prazo, o setor de distribuição de veículos terá alguma participação no mercado acionário brasileiro, assim como já existe nos EUA.

Outro ponto positivo, foi que, o setor, mesmo vendendo -1,62% a menos, teve crescimento em seu faturamento de 2,11%. Ou seja, vendi menos e faturei mais! No ano de 2013, estimamos que o setor movimentou (apenas na venda de carros novos) o montante de R$ 161,3 bilhões (recorde) contra os R$ 158 bilhões do ano de 2012. Em 2013, as montadoras de veículos conseguiram vendem R$ 3,33 bilhões a mais, mesmo vendendo quase 60 mil carros a menos.

Como vocês puderam ver, tivermos muita coisa positiva e saímos um pouco da mesmice de falarmos quem foi líder de vendas e qual foi o carro mais vendido.

Porém, novamente, não acreditamos em melhora nas vendas de veículos. Acreditamos que, neste ano, o mercado irá encerrar com retração de vendas entre -3% e -5%, conforme tabela abaixo:

O destaque deste ano continuará sendo para o trio “filé-mignon” (Honda, Hyundai e Toyota) e definitivamente para as marcas de veículos importados de luxo, segmento este que dificilmente passa por crise.

  

Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.