A ascensão das marcas orientais no mercado brasileiro

Estamos passando por transformações comportamentais nunca antes vistas no padrão de consumo dos veículos no Brasil

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Letreiro da Toyota

Caros leitores, digníssimas leitoras,

Findado o primeiro trimestre do ano no sofrido mercado automotivo, eis que – apesar de não termos muito para celebrar – aconteceram mudanças comportamentais nunca vistas!

Como foi o resultado do setor neste trimestre?

Com ridículos 371,6 mil carros vendidos, o segmento registrou retração de 25,4% sobre o primeiro trimestre do ano passado, quando tivemos quase meio milhão de veículos comercializados.

Só estamos vivenciando o pior resultado dos últimos 17 anos.

Mas “o mais melhor de bom” de tudo isso é que estamos passando por transformações comportamentais no padrão de consumo dos veículos.

O primeiro passo deu-se no final do ano passado, quando o subsegmento de carro mais comercializado no Brasil passou a ser SUVs, em detrimento dos hatches pequenos.

Outro ponto era que, quando víamos as “marcas preferidas” do consumidor brasileiro dos últimos 60-70 anos (ou seja, desde sempre), tínhamos aquele mantra das “quatro grandes” (Fiat-Ford-GM-VW) que detinham, na média, mais de 70% do mercado.

Ao longo dos últimos anos, a participação das “quatro grandes” vinha constantemente caindo – mas as mudanças se aceleraram no último ano.

Tivemos a Ford, que praticamente “abandonou o barco” e saiu dos seus quase cativos 10% de share para chorados 1%.

E a última – por enquanto – foi a Volkswagen, que também saiu dos seus quase cativos 20% para também chorados 10% neste ano.

E o que tivemos neste primeiro trimestre?

O nosso novo Top 4 é formado por Fiat, com 21% de Share; GM, com 13%; e Toyota e Hyundai com 11% – sendo que a marca ficou na terceira colocação por singelos 78 carros vendidos a mais!

Lógico que, com um mercado em retração, todas as marcas apresentam sofrimento. Por exemplo, neste nosso Top 4, a Fiat registra retração de 23,2% em relação a 2021; a GM, queda forte de 33,5%; Hyundai, queda de 14,7%. A Toyota é a única que registra crescimento, com 21,5%.

É aquilo que a gente sempre fala: é a Toyota fazendo as suas “toyotices” para bagunçar o status quo do mercado! A montadora está no seleto grupo de marcas de volume que registram crescimento nas vendas.

Pelo segundo ano consecutivo, a marca que mais cresce é a Peugeot, com evolução de 111%. No caso da marca francesa, esse é o melhor resultado nos últimos oito anos (lembrando que o mercado registra o seu pior volume dos últimos 17 anos).

Na segunda posição, temos a Citroen, com crescimento de 78%, mostrando que o surgimento do grupo Stellantis foi excelente para as marcas da ex-PSA. Em seguida, vem a Caoa-Chery com alta de 49%, a Toyota, com quase 22% de crescimento e, fechando o nosso Top 5, temos a Mitsubishi, com alta de 5%.

Somente o grupo Stellantis (Citroen-Fiat-Jeep-Peugeot) possui mais de 1/3 do mercado automotivo, com 33,4% de share.

Se antes o pessoal brincava com a Fiat, a marca conseguiu se reinventar por completo, tornando-se referência no segmento de picapes (antes a Ford fazia bonito, com o seu slogan de “Picape raça forte”) ao colocar a Strada como o carro mais vendido no Brasil e a Toro na nona colocação do ranking.

Num Top 10 dos modelos mais vendidos, ainda teríamos o Fiat Mobi na quinta posição e os Jeep Compass e Renegade na sexta e décima posição, respectivamente. Ou seja, cinco dos 10 carros mais vendidos são do grupo Stellantis.

Ainda vale ressaltar que a “novinha” Hyundai colocou dois carros no nosso Top 10, com o seu HB20 na segunda posição e o SUV Creta na sétima colocação.

E os japoneses da Toyota?

Nenhum modelo deles entrou no nosso Top 10. Mas não tem problema, os japoneses da Toyota curtem fazer tipo um “preço médio”: não lidero, mas estou sempre pontuando/crescendo… é aquela visão de longo prazo.

E fechar esse primeiro trimestre como a terceira marca mais desejada no mercado brasileiro, acho que nem nos melhores sonhos do pessoal.

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Raphael Galante

Raphael Galante é economista, trabalha no setor automotivo há mais de 20 anos e atua como consultor na Oikonomia Consultoria Automotiva.