Coinverse, Bitcoin Banking no Brasil

Há pouco mais de um ano, quando havia recém começado a estudar o Bitcoin sob uma perspectiva econômica, recorrentemente encontrava uma forte crítica à nascente moeda: bitcoin não é dinheiro, não se pode comprar quase nada com ele, nem mesmo pagar suas contas. Pelo menos em território nacional isso não é mais verdade. Em agosto escrevi sobre um serviço para pagar boletos e recarregar créditos de celular. Desta vez escrevo sobre a Coinverse, um novo serviço financeiro de Bitcoin em solo nacional lançado há poucos meses.

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Há pouco mais de um ano, quando havia recém começado a estudar o Bitcoin sob uma perspectiva econômica, recorrentemente encontrava uma forte crítica à nascente moeda: bitcoin não é dinheiro, não se pode comprar quase nada com ele, nem mesmo pagar suas contas.

Pelo menos em território nacional isso não é mais verdade. Em agosto escrevi sobre um serviço para pagar boletos e recarregar créditos de celular. Desta vez escrevo sobre a Coinverse, um novo serviço financeiro de Bitcoin em solo nacional lançado há poucos meses.

O seu modelo de negócio é pioneiro no país, pois busca prover uma espécie de banco para quem usa bitcoins, permitindo aos clientes não somente adquirir a criptomoeda de forma extremamente fácil, mas também usá-la no cotidiano pagando boletos, contas de luz ou água, entre outros.

E mais, a Coinverse é a primeira empresa brasileira a trazer ao país um ATM de bitcoins, em que é possível comprar ou vender a moeda digital. Isso faz com que o caixa eletrônico seja extremamente útil para estrangeiros vivendo no Brasil, ou até mesmo turistas que estejam de passagem por aqui. Como? Ora, em vez de trocar dólares ou euros por reais no aeroporto, por exemplo, basta a pessoa trazer seu smartphone com bitcoins e vendê-los no ATM da Coinverse, sacando reais imediatamente.

Curiosamente, o Bitcoin Banking que a empresa fornece vem a suprir uma demanda reprimida: para os estrangeiros vivendo em terras tupiniquins, abrir uma conta bancária pode ser não apenas um processo extremamente lento, como também até mesmo inatingível em alguns casos. Dessa forma, a empresa permite que esses cidadãos que aqui residem possam rapidamente pagar suas contas – porque a cobrança do aluguel ou da eletricidade cedo ou tarde chegará, e não importa se você tem conta em banco ou não.

A plataforma criada pela empresa não é destinada aos traders do mercado. É, na verdade, uma solução voltada aos que pretendem comprar ou vender bitcoins de maneira fácil e rápida – normalmente há um pequeno spread entre a cotação da Coinverse e a das exchanges com maior volume – e usá-lo como uma forma de pagamento corrente. Já é possível usar o serviço no seu smartphone Android, e dentro de pouco tempo estará disponível o aplicativo para iPhone.

Como o próprio Safiri Felix, diretor executivo da empresa, afirma, “O objetivo principal da plataforma é facilitar o acesso e ser uma porta de entrada para novos usuários de bitcoin, facilitando o entendimento e dando aplicações práticas não especulativas”.

Além disso, se você desejar aceitar bitcoin no seu negócio, há a possibilidade de integrar o seu site à Coinverse, facilitando pagamento em bitcoins pelos seus clientes. E esse é apenas o começo, pois, segundo Safiri, “Pretende-se criar, no futuro, uma rede de caixas eletrônicos nas principais cidades brasileiras e ampliar o portfólio de produtos com um leque maior de soluções”.

Lá fora também proliferam novas formas de utilizar a moeda digital, especialmente serviços como o da Coinverse, que permitem aos usuários do bitcoin utilizá-lo para quitar faturas, contas de luz, aluguéis, etc.; enfim, usá-lo da mesma forma que qualquer outra moeda corrente.

Não há dúvidas quanto ao crescimento do Bitcoin no Brasil. Com certeza não estamos no mesmo estágio de adoção da moeda de países desenvolvidos, mas estamos recuperando o tempo perdido.

Neste ano tivemos novas exchanges entrando no mercado, o anúncio da Tecnisa como a maior empresa a aceitar pagamentos em bitcoins, a criação do IXBTC, o Bitcoin Banking da Coinverse e o evento que encerrou o ano com chave de ouro, a Labitconf 2014 Rio – que trouxe ao Brasil uma conferência de altíssimo nível com os maiores nomes da indústria em nível global.

É um mercado que está ainda amadurecendo no país, e iniciativas como a da Coinverse só vêm a agregar e contribuir para uma maior adoção do Bitcoin aqui.

Fernando Ulrich

Fernando Ulrich é Analista-chefe da XDEX, mestre em Economia pela URJC de Madri, com passagem por multinacionais, como o grupo ThyssenKrupp, e instituições financeiras, como o Banco Indusval & Partners. É autor do livro “Bitcoin – a Moeda na Era Digital” e Conselheiro do Instituto Mises Brasil