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A terrível resposta dos Estados Unidos ao Coronavírus

Em uma semana, número de casos nos EUA foi de 79 para 974, um aumento de 1.132%. De quem é a culpa?

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“Community transmission” é o termo usado quando a origem do caso de coronavírus é desconhecida. Em menos de uma semana apos o primeiro caso de “community transmission”, a Coreia do Sul já havia testado mais de 65.500 pessoas e expandido sua capacidade para examinar mais de 15 mil pacientes por dia.

Já os Estados Unidos, mais de uma semana após o primeiro caso de “community transmission”, não realizou nem 10 mil testes. Há uma semana, virou matéria no New York Times e também no Wall Street Jounal um pedido da cidade de Nova York ao governo federal para disponibilizarem mais kits de testes de coronavírus, dada sua escassez. Oficiais da cidade disseram que a “lenta ação federal sobre esse assunto impediu nossa capacidade de combater esta epidemia”.

A falta de capacidade de coordenação para uma resposta estrutural dos Estados Unidos ao coronavírus expõe um problema antigo do sistema de saúde americano.

A ausência de um sistema de saúde público único limita a capacidade dos agentes de saúde a não apenas dar uma resposta sincronizada, mas também afeta a simples coleta de dados para entender o tamanho do problema no país.

Com um sistema de saúde à base de seguradoras, que são apenas as intermediárias com hospitais, e com cada estado do país realizando seus próprios testes e reportando as informações de maneiras diferentes, o governo federal não consegue dizer com precisão nem quantas pessoas foram testadas.

Na sexta-feira anterior, enquanto o órgão oficial do governo federal, o Center for Desease Control and Prevention (CDC), reportava 1.707 testes feitos, outras fontes diziam que mais de 5 mil testes haviam sido feitos no país todo.

Diante da confusão, nesta semana o CDC começou a reportar dois tipos de pessoas confirmadas com vírus: “casos positivos” e “casos positivos presuntivos”, sendo os últimos aqueles casos informados por laboratórios privados ou governos locais, mas que o governo federal não pode confirmar por si próprio.

Com um nível de descentralização onde nem a informação pode ser confiada por completo, estabelecer um protocolo para uma resposta coordenada parece improvável.

O governo está tentando correr atrás do prejuízo liberando dezenas de milhares de novos kits. Como resultado, o número de casos foi de 79 (excluindo americanos repatriados do cruzeiro Diamond Princess) para 974 em apenas uma semana, um aumento de 1.132%.

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Esse aumento tremendo não é necessariamente porque a doença se espalhou mais rápido, mas também devido ao fato de poucas pessoas já terem sido testadas. Agora, a liberação de mais kits apenas expôs o que já existia.

Dos 974 casos nos Estados Unidos, 45 deles já tiveram uma “conclusão”, ou seja, a pessoa contaminada se recuperou ou faleceu devido a doença. Desses casos com conclusão, 30 morreram e apenas 15 se recuperaram, uma mortalidade assustadora de 2 a cada 3 para os casos nos país.

Sim, o número é alto também pelo fato de o vírus ter se espalhado em um lar de idosos, que é a população de maior risco à doença. Mas muito desses números também estão relacionados ao fato de que poucas pessoas estavam sendo testadas, sendo diagnosticadas apenas em estágios mais avançados. Mais uma vez, mostrando a falta de proatividade do governo federal para prevenir o avanço da doença em seus estágios iniciais.

O surto da epidemia mal começou, mas já foi suficiente para expor as fragilidades do sistema de saúde americano. O atraso para uma resposta coordenada aos primeiros casos e falta de transparência e padronização na comunicação entre estados e laboratórios tiraram as chances do governo americano tentar controlar a velocidade de expansão do vírus em seu início.

Agora não adianta correr atrás do prejuízo, o vírus já está fora do controle das autoridades e, de acordo com Marty Walsh, o prefeito de Boston, cidade com os melhores hospitais do mundo, elas devem-se “preparar para o inevitável”.

Matheus Tavares dos Santos

Nasceu no interior de São Paulo, tornou-se bolsista na Northeastern University aos 17 anos. Criou uma startup e vendeu-a aos 19 anos para trabalhar em uma multinacional em Boston. Voltou ao Brasil onde trabalhou no Bradesco e na B3. Atualmente estuda em Madri, administra seu próprio fundo de investimento e é analista do SVF Value Fund, em Boston.