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O setor bancário brasileiro continua entregando resultados consistentes, com crescimento de lucro em diversas instituições. Ainda assim, uma mudança relevante está acontecendo dentro da base de clientes e ela não aparece imediatamente nos resultados.
É uma mudança na forma como os clientes definem seu banco principal. Nesse contexto, principalidade se refere à instituição que concentra o fluxo financeiro do cliente, onde o dinheiro entra, circula e se converte em produtos ao longo do tempo.
Clientes que não ocupam essa posição tendem a gerar menor receita para os bancos, apresentam menor engajamento e maior sensibilidade a preço.
Nos últimos anos, o comportamento do cliente mudou de forma significativa. Isso porque a relação bancária, que antes era concentrada, hoje se distribui entre múltiplos players. O salário entra em um banco, os investimentos ficam em outro, o crédito vem de um terceiro.
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Esse movimento não é periférico. Cerca de 75% dos clientes possuem contas em mais de uma instituição financeira.
Com a expansão dos bancos digitais, o brasileiro possui, em média, mais de cinco contas bancárias, mais do que o dobro do observado há uma década.
Ainda assim, mais de 70% concentram suas operações em um único banco principal. A conta continua ativa, mas o fluxo financeiro se dispersa. E é essa dispersão que reduz, ao longo do tempo, o valor econômico de cada relacionamento.
Na prática, isso significa menor concentração de receita por cliente, menor profundidade de produtos e maior pressão competitiva em momentos-chave da jornada financeira.
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A disputa entre instituições está mais no aproveitamento das relações com os clientes da base do que na aquisição de novos clientes, como alguns anos atrás.
Bancos que conseguem antecipar necessidades e atuar no momento em que a decisão financeira acontece ampliam sua relevância. Isso exige olhar além do portfólio de produtos e entender a jornada do cliente com maior precisão.
Esse movimento se desdobra em três frentes
- A primeira é tratar principalidade como critério de gestão. Definir com clareza o que caracteriza um cliente principal em cada segmento, acompanhar essa evolução e conectar esse indicador ao valor econômico gerado.
- A segunda é estruturar combinações de produtos e serviços que incentivem concentração de fluxo e recorrência. Conta, pagamentos, crédito, benefícios e serviços precisam atuar de forma integrada para fortalecer o vínculo ao longo do tempo.
- Por fim, transformar contexto em execução. Isso envolve definir, para cada cliente, qual ação faz sentido, em qual momento e por qual canal, garantindo consistência entre canais digitais, centrais e atendimento.
Sem essa conexão entre estratégia e execução, o banco não evolui e, com o tempo, perde relevância econômica.
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Vale destacar, ainda, que a diferença entre instituições está em três fatores: quem concentra o fluxo financeiro, quem mantém presença recorrente e quem aprofunda a relação ao longo do tempo.
Esses três elementos determinam quem captura valor de forma sustentável e quem, mesmo mantendo o cliente, perde relevância gradualmente.
É por isso que você tem recebido tantas abordagens do seu banco nos últimos anos.