O valor do seu relacionamento com bancos — principalidade no centro da disputa

Os clientes da base se tornaram o principal foco da disputa entre bancos

Marina Borges

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O setor bancário brasileiro continua entregando resultados consistentes, com crescimento de lucro em diversas instituições. Ainda assim, uma mudança relevante está acontecendo dentro da base de clientes e ela não aparece imediatamente nos resultados.

É uma mudança na forma como os clientes definem seu banco principal. Nesse contexto, principalidade se refere à instituição que concentra o fluxo financeiro do cliente, onde o dinheiro entra, circula e se converte em produtos ao longo do tempo. 

Clientes que não ocupam essa posição tendem a gerar menor receita para os bancos, apresentam menor engajamento e maior sensibilidade a preço.

Nos últimos anos, o comportamento do cliente mudou de forma significativa. Isso porque a relação bancária, que antes era concentrada, hoje se distribui entre múltiplos players. O salário entra em um banco, os investimentos ficam em outro, o crédito vem de um terceiro.

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Esse movimento não é periférico. Cerca de 75% dos clientes possuem contas em mais de uma instituição financeira.

Com a expansão dos bancos digitais, o brasileiro possui, em média, mais de cinco contas bancárias, mais do que o dobro do observado há uma década. 

Ainda assim, mais de 70% concentram suas operações em um único banco principal. A conta continua ativa, mas o fluxo financeiro se dispersa. E é essa dispersão que reduz, ao longo do tempo, o valor econômico de cada relacionamento. 

Na prática, isso significa menor concentração de receita por cliente, menor profundidade de produtos e maior pressão competitiva em momentos-chave da jornada financeira.

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A disputa entre instituições está mais no aproveitamento das relações com os clientes da base do que na aquisição de novos clientes, como alguns anos atrás.

Bancos que conseguem antecipar necessidades e atuar no momento em que a decisão financeira acontece ampliam sua relevância. Isso exige olhar além do portfólio de produtos e entender a jornada do cliente com maior precisão.

Esse movimento se desdobra em três frentes

Sem essa conexão entre estratégia e execução, o banco não evolui e, com o tempo, perde relevância econômica.

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Vale destacar, ainda, que a diferença entre instituições está em três fatores: quem concentra o fluxo financeiro, quem mantém presença recorrente e quem aprofunda a relação ao longo do tempo.

Esses três elementos determinam quem captura valor de forma sustentável e quem, mesmo mantendo o cliente, perde relevância gradualmente.

É por isso que você tem recebido tantas abordagens do seu banco nos últimos anos. 

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Marina Borges

VP de Operações e Sócia da Falconi | Conselheira Independente | Investidora Anjo | Especialista em gestão e empreendedorismo | Mãe de dois meninos