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Farmar aura é a gíria que a geração Z transformou em critério de status: acumular carisma, presença e admiração como quem grinda pontos em um jogo. O termo já saiu da tela e virou campeonato de rua em pelo menos sete estados brasileiros.
Ao mesmo tempo, divide opinião com a mesma intensidade que viraliza: psicólogos e líderes religiosos questionam a obsessão pela aprovação da plateia, enquanto jovens defendem a brincadeira como forma legítima de pertencimento.
É nesse contexto que o Claritor monitorou o fenômeno no X ao longo de julho, e o que os dados mostram é mais interessante do que a polêmica em si.
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Uma conta com 998 seguidores gerou 795 mil visualizações e 103,8 mil curtidas em um único post.
Proporcionalmente, isso é mais retorno do que muita conta verificada com seguidores às dezenas de milhares conseguiu entregar.
O pregão da aura tem dois tipos de investidor
Analisando as publicações de maior impacto rastreadas pelo Claritor no X, dá para separar dois perfis nitidamente distintos.
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De um lado, contas verificadas e com base de seguidores robusta, que funcionam como fundos institucionais: entregam volume gigantesco de visualizações, mas com pouquíssima interação real.
A conta @DELAMORESEP, verificada e com 21,7 mil seguidores, alcançou 1,9 milhão de visualizações e recebeu apenas 370 curtidas e 12 retweets.
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Isso é uma taxa de engajamento de 0,02%. Muita audiência, quase nenhuma conversa.
Do outro lado, um grupo de contas pequenas e sem verificação que se comportou como small cap: pouco capital de seguidores, mas retorno desproporcional.
Três delas, somadas, tinham 7,6 mil seguidores e geraram 3 milhões de visualizações, 27,6 mil retweets e 246 mil curtidas.
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A campeã isolada foi a já citada conta de 998 seguidores, com taxa de engajamento de 15%, quase 700 vezes maior que a do fundo institucional verificado.
Por que o mercado pequeno rendeu mais
O algoritmo do X não distribui alcance apenas por tamanho de audiência, ele distribui por reação.
Um post de conta grande e verificada tende a aparecer na timeline de muita gente por inércia de distribuição, mas gera visualização passiva: a pessoa vê, rola, segue.
Já um post pequeno só cresce se as primeiras pessoas realmente rirem, comentarem ou compartilharem, o que empurra o conteúdo para novos públicos em cascata.
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No caso do farmar aura, o material que viralizou de verdade veio de quem estava dentro da piada, não de quem estava só noticiando ela.
O contexto por trás dos números
Não é coincidência que o pico de publicações tenha se concentrado entre 22 e 29 de julho, justamente quando o caso da farmácia batizada Farma Aura tomou o Instagram e o X e virou o exemplo mais citado do fenômeno.
É esse tipo de gatilho concreto, visual e fácil de compartilhar que faz uma gíria de nicho pular para o mainstream. E é também aí que mora a divisão de opinião: para quem está de fora, é um post engraçado sobre uma fachada de farmácia.
Para quem está dentro da cultura, é evidência de que farmar aura já contaminou o cotidiano, inclusive o comércio local.
O que isso ensina sobre atenção como ativo
Para quem lê a InfoMoney pensando em marca, mídia ou investimento em atenção, o recado é direto: seguidor não é capital garantido, é apenas capital disponível.
O retorno depende de quem sabe operar esse capital no timing certo, com o conteúdo certo.
A farmácia de Farma Aura não pediu para virar fenômeno, mas colheu um tipo de retorno de marca que campanha paga nenhuma compraria pelo mesmo preço.
E as contas pequenas que bateram as verificadas provam que, na bolsa da atenção, quem entende o produto às vezes rende mais do que quem só tem escala.
Farmar aura pode parecer conversa de adolescente, mas os números do X mostram algo que qualquer investidor reconheceria de cara: quando o mercado é novo, é ali que o retorno desproporcional acontece, antes que os grandes fundos aprendam a jogar o jogo.