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A indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) e a subsequente resistência do Congresso, personificada na figura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, dominaram o noticiário político nas últimas semanas.
A cobertura da mídia tradicional dedicou longas horas de debate e análise ao tema, tratando-o como uma crise institucional de alto risco. No entanto, a análise do monitoramento digital do Claritor revela uma desconexão notável: enquanto a mídia pauta o assunto com intensidade, a internet, e em especial as redes sociais, demonstra um silêncio quase ensurdecedor.
A tese de que “ninguém dá a mínima” para o tema nas redes sociais é, em grande parte, confirmada pelos dados.
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Onde está o debate? A distribuição atípica das menções
O painel geral do Claritor, que monitora o tema, registrou um volume total de apenas 207 menções na última semana, um número irrisório para um assunto de tamanha relevância constitucional. Mais revelador é o perfil de onde essas menções se originam.
A distribuição de menções por fonte é atípica para um tema político de alto impacto, que geralmente é dominado pelo X/Twitter:
- Sites de Notícias: 45%
- Instagram: 31%
- X/Twitter: 24%
O fato de Sites de Notícias representarem quase metade do volume total de menções (45%) e o X/Twitter ser a menor fatia (24%) sugere que o tema está sendo pautado e mantido vivo pela mídia tradicional, e não por um debate orgânico e espontâneo nas redes sociais. O Instagram, com 31%, provavelmente reflete a cobertura de grandes veículos e influenciadores que replicam o conteúdo noticioso.
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A linha histórica: um pico pautado, não orgânico
A linha histórica de menções reforça essa dinâmica. O gráfico de “Evolução das Menções” mostra um volume muito baixo entre 24 e 29 de novembro, seguido por um pico acentuado nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro.
Este pico não é um sinal de que o público “acordou” para o tema, mas sim que a notícia ganhou tração na mídia em função das críticas abertas de Alcolumbre ao Governo Federal, pela demora no envio da indicação formal de Messias ao Senado.
É importante notar que o pico é puxado principalmente por menções Neutras e Negativas, indicando que o aumento do debate está centrado na informação sobre o conflito e na crítica à situação, e não na celebração da indicação.
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O X/Twitter: polarização de elite e foco no conflito
A análise do X/Twitter, o termômetro tradicional do debate político, é ainda mais conclusiva. Com apenas 49 menções no total, o engajamento é mínimo.
O debate, embora pequeno, é altamente polarizado:
- Sentimento: 18 menções negativas, 11 positivas e 20 neutras.
- Nuvem de Palavras Positivas: Foca em qualificado, reconhecido, apoio e credibilidade, defendendo o mérito do indicado.
- Nuvem de Palavras Negativas: Foca em resistência, críticas, rejeição, conflitos e tensão, centrando o debate na disputa de poder.
As menções mais relevantes, com maior impacto e alcance, são de grandes veículos (GloboNews) e formadores de opinião (Reinaldo Azevedo, Marina Helena, Bibo Nunes). Isso demonstra que a discussão está restrita a uma “polarização de elite”, onde os atores políticos e midiáticos trocam farpas, mas o tema não se espalha para o público geral.
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O foco do debate não é a figura de Jorge Messias, mas sim o conflito institucional entre o Planalto e o Senado, e a disputa pelo controle da Suprema Corte.
Conclusão: a crise que não viraliza
O caso Jorge Messias é um exemplo claro de como a pauta da mídia tradicional nem sempre se traduz em debate orgânico nas redes sociais. A crise institucional é real no Congresso e nos bastidores do Planalto, mas ela não viraliza.
O público, talvez saturado de disputas políticas, ou focado em temas de impacto mais direto em seu cotidiano (como a inflação, que vimos na coluna anterior), não abraçou o tema. O resultado é um debate de “bolha”, onde a intensidade da cobertura jornalística contrasta com o silêncio da internet.
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Para o Planalto, o baixo engajamento pode ser uma faca de dois gumes: por um lado, a falta de mobilização popular impede um apoio maciço à indicação; por outro, a ausência de uma oposição popular organizada nas redes sociais pode facilitar a articulação política nos bastidores do Senado, onde o jogo é jogado longe dos holofotes digitais.