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Há um segmento do mercado imobiliário de São Paulo passando por uma transformação que merece a atenção dos investidores: o de residências de luxo. A cidade vive uma transformação silenciosa no mercado diante do crescimento dos condomínios horizontais de alto padrão.
O interesse por casas com áreas externas, quintais e privacidade sempre existiu. Já nos anos anteriores a 2020, vimos a valorização de casas de vila e imóveis térreos em bairros com ocupação horizontal, ou seja, poucos prédios. A oferta desse tipo de imóvel, no entanto, sempre foi bastante limitada e as mudanças decorrentes da pandemia de Covid-19 aprofundaram essa preferência. O longo período de isolamento social fez com que as pessoas passassem a olhar para suas casas com outros olhos, valorizando o espaço, a conexão com a natureza e a qualidade de vida associada ao conceito de lar.
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E se a demanda por residências com espaços ao ar livre cresceu, o desejo de manter a conveniência de viver próximo aos centros financeiros e áreas consolidadas com os principais serviços e equipamentos urbanos da cidade permaneceu. Esta tendência vem se acentuando com a consolidação do mix de trabalho presencial e remoto. Essa combinação impulsionou o desenvolvimento desses condomínios de casas, que se tornaram a alternativa, um meio termo entre as casas tradicionais e os edifícios de apartamentos.
Em São Paulo, bairros como Morumbi, Jardim Guedala e Alto de Pinheiros começaram a ser transformados e requalificados por esse movimento. Não há como transitar por essas regiões sem notar uma obra em andamento.
O motivo vai além da localização. São bairros com grandes propriedades, muitas vezes antigas e subutilizadas. Muitas famílias já não queriam (ou não podiam) manter imóveis tão grandes e caros, com estruturas que exigiam muita mão de obra e IPTUs exorbitantes.
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Esse cenário abriu uma janela de oportunidade rara numa cidade densamente povoada: grandes terrenos disponíveis em áreas de alta demanda. São áreas de mais de 1.000 metros quadrados, que antes eram ocupadas por apenas uma casa e agora passam a abrigar de 2, 10 ou até mais imóveis.
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O comprador desse tipo de empreendimento tende a ser exigente. A maior parte dos projetos é de casas sofisticadas, voltadas para famílias que querem o melhor dos mundos: natureza e cidade, segurança e exclusividade. Por isso, a transformação no que chamamos de condomínios boutique, com poucas unidades, alta qualidade e uma proposta de vida urbana.
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Os projetos arquitetônicos precisam ser personalizados e muito diferenciados, com toque autoral e assinados por escritórios renomados. O uso de tecnologias residenciais que integram segurança e funcionalidade permitem, por exemplo, controlar monitoramento, climatização, iluminação, leitura de usos e hábitos com inteligência artificial maximizando segurança e conforto. Outro destaque são as soluções voltadas para a sustentabilidade e o uso eficiente dos recursos, também cada vez mais demandadas para este público, que é sensível às questões ambientais.
É importante entender que mesmo com o aumento no número de lançamentos, a oferta de novos condomínios de casas permanece limitada. Um levantamento realizado pela Aurea Digital – plataforma de inteligência de mercado da Aurea Finvest —, revelou que é comum que as vendas ocorram ainda na fase de pré-obra.
Ainda de acordo com o levantamento, os valores são bastante significativos, acompanhando os valores de metro quadrado de apartamentos AA. Em regiões como Vila Nova Conceição, Jardim Paulistano e Cidade Jardim, o valor de imóveis em condomínios de casas já atinge patamares de R$ 35 mil a R$ 40 mil o metro quadrado.
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Por fim, embora tenhamos falado do fenômeno na cidade de São Paulo, já vemos também projetos aparecendo em outras capitais, como Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, indicando que a mudança é mais ampla do que parecia inicialmente.
Para aqueles atentos às mudanças sociais, econômicas e com o olhar de investimento em curso, a transformação dos condomínios horizontais representa mais do que uma moda passageira: é uma readequação no modo de viver nas grandes cidades.