Rasguem o livro-texto: o desemprego pode ser bom indicador para a bolsa americana

A inteligência artificial está substituindo os estagiários na maior potência econômica do planeta

Lucas Collazo

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Notas de dólar (REUTERS/Dado Ruvic)
Notas de dólar (REUTERS/Dado Ruvic)

Publicidade

Caros(as) leitores(as),

Não existe bola de cristal no mercado, ninguém é capaz de prever o futuro embora muitos tentem tornar essa sua principal função na indústria financeira. Dito isso, é preciso se basear em algo para tentar projetar o que deve acontecer adiante.

Na falta de máquinas do tempo, os retrovisores são acessados. Se nada se repete, mas pode rimar, por que não olhar para trás e tentar entender como deve ser o comportamento adiante?

Fundamentalmente, isso tende a funcionar em boa parte das vezes. Repetição, repetição, repetição – já tive conversas com gestores tão obcecados por ela que até injetar a própria mente dentro de um modelo de inteligência artificial para que ele alertasse mudanças de reações diante de variáveis macroeconômicas importantes. Um instituto de tecnologia ligado a um importante acadêmico de matemática estava monitorando as ações do gestor em questão, definindo os padrões de comportamento.

Sinceramente, eu não consigo acreditar que isso será verdade adiante. A revolução da inteligência artificial é um evento transformacional que vemos a cada 40 anos (e olhe lá).

Continua depois da publicidade

Sempre existirá o mesmo de sempre, aquilo que está correlato ao comportamento humano. Porém, tendências são distorcidas, correlações são mantidas sim, mas muitas são quebradas ou mesmo desaparecem.

Uma prova disso é o desemprego. Palavra temida, de conotação pejorativa e rejeitada (por motivos óbvios).

Os conceitos econômicos vão mostrar que algum nível de desemprego é saudável para o equilíbrio da economia.  O crescimento dela de forma considerável é negativo pois afeta a renda disponível, que afeta o consumo e uma bola de neve negativa se forma afetando a rentabilidade das companhias.

Mas e quando o desemprego visto vem de ganho de eficiência?

No último relatório de empregos nos EUA, tivemos uma variação negativa no emprego, ou seja, o desemprego teve ampliação. Quando “explodimos” o número, observamos que a zona mais afetada foi a dos mais jovens.

Em outras palavras (e muito mais boêmias), a inteligência artificial está substituindo os estagiários na maior potência econômica do planeta. Um dado triste, afinal, esses universitários e recém-formados não estão nos escritórios apenas por suas remunerações iniciais, mas também pelo conhecimento e para construir maior valor agregado a sua força de trabalho.

Para a empresa, um ganho de eficiência é gerado em termos de custos e entrega. O efeito de segunda derivada que seria um impacto no consumo não necessariamente é verdade para muitas delas.

É muito cedo para afirmar, mas preliminarmente, toda queda do S&P 500 por aumento no desemprego, sob essa ótica e rasgando tudo que tivemos de conhecimento sob o tema até aqui, é motivo para compra e não para pânico. Quem analisar o mercado sob premissas válidas nos últimos 20 anos, possivelmente tomará uma série de decisões equivocadas.

Capítulos de uma história que acabou de começar. O mundo sob uma nova ótica, onde, ao implementar, usa mente num modelo de IA para provocar repetição, talvez um “a leitura está incorreta” apareça escrito em sua tela.

Autor avatar
Lucas Collazo

Host e conselheiro no fundo do Stock Pickers | Especialista em alocação e fundos de investimento no InfoMoney