“Lula, você não liga para os banqueiros? Vamos ver até onde você aguenta!”, diz Sr. Mercado

Tenho o privilégio de acessar os maiores e melhores investidores do país, e a maior parte deles demonstra um certo “cansaço” em relação à condução econômica brasileira

Lucas Collazo

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Caros(as) leitores(as),

Chegamos ao fim de mais uma semana difícil para o Brasil. O protagonismo continua nas falas de membros do governo, como próprio presidente Lula e seus ministros – o caso de Fernando Haddad, por exemplo.

O dólar, contando impostos e custos das casas de câmbio, chegou próximo dos R$ 6, o euro atingiu essa marca de forma efetiva e os títulos públicos romperam para cima a marca de IPCA + 6,5% ao ano, reflexo do aumento das expectativas de juros no futuro do país. Terrível e caótico.

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Eu tenho o privilégio de acessar os maiores e melhores investidores do país, e a maior parte deles demonstra um certo “cansaço” em relação à condução econômica brasileira. Aos poucos, abandonam seus investimentos locais e focam em oportunidades no exterior, como nos EUA.

Os preços dos ativos brasileiros, como o real, a bolsa e os títulos públicos, parecem atraentes e “baratos” – isso é um consenso –, mas nada impede de tudo piorar ainda mais, sem falar na “dor de barriga” que é gerada em permanecer investido com tantos ruídos (ou sinais). Dito isso, entre ganhar quase 5% ao ano em dólares nos títulos públicos americanos ou mais de 6,5% de juro real em títulos de dívida do Tesouro Nacional, parece que a preferência é fugir com o dinheiro daqui.

Eu não os culpo: os gestores de recursos não param de receber resgates de investidores descontentes com os resultados de curto prazo da indústria financeira. Imagine como fica a cabeça dessas pessoas que fazem a gestão propriamente dita?

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Os agentes do mercado possuem essa fama de “auditores” do governo, e sua aprovação ou reprovação de processos aparecem nos preços dos ativos. Quase como se fosse uma “carta ao presidente” implícita nos números da tela.

Desta vez – e como já disse nesta coluna –, não existe carta, eles apenas estão jogando a toalha. O nível informacional dos preços parece estar muito baixo.

O presidente Lula disse: “Eu não tenho que prestar conta a nenhum ‘ricaço’ neste país. Eu não tenho que prestar conta a nenhum banqueiro deste país”. Como se ele dissesse que essa “auditoria” do mercado não importa.

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Será?

Lula preparou uma agenda de “última hora” com a equipe econômica e demais partes interessadas e fez declarações como “responsabilidade fiscal é compromisso”. Mas até aqui nada foi indicado no controle de gastos, justamente a maior reclamação do “Sr. Mercado”. Após o dólar bater quase R$ 6, isso muda?

Dólar alto gera inflação, inflação deixa o povo mais pobre, o povo mais pobre aprova menos o governo – e isso sim incomoda o Lula. O banqueiro talvez não seja o formador de opinião para o presidente, mas a opinião dele sobre a moeda é bem influente na cabeça de Luiz Inácio.

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Os preços estão longe de indicar um cenário mais duro, como vimos no governo Dilma – ou seja, realmente existe um espaço claro de piora. Eu acho que, se você REALMENTE olha para longo prazo, muitos desses ativos apresentam boa remuneração e talvez faça sentido aproveitar essas oportunidades.

O Lula não se importar com o que o mercado pensa é verdade, mas existe limites. Aparentemente, o Sr. Mercado está disposto a testar as convicções do Presidente da República.

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Lucas Collazo

Host e conselheiro no fundo do Stock Pickers | Especialista em alocação e fundos de investimento no InfoMoney