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O primeiro ETF brasileiro, criado em 2004, foi fruto de uma iniciativa do BNDES, que utilizou o instrumento para vender ao varejo parte de sua carteira de ações. Depois disso, o banco atuou em outras duas ofertas de ETFs, estimulando o crescimento e a pulverização do instrumento, principalmente junto ao varejo. O surgimento do mercado de ETFs local está, dessa maneira, intrinsecamente ligado às iniciativas do BNDES para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro.
A chamada pública, cujo resultado foi divulgado na última sexta-feira, se encaixa desse modo num movimento mais amplo e se soma a fatores estruturais que fizeram o mercado de ETFs praticamente dobrar em pouco mais de um ano, saindo dos R$54 bilhões em dezembro de 2024 para os mais de R$105 bilhões atingidos em fevereiro.
O edital previa a seleção de 5 ETFs, 3 de ações, 1 de Renda Fixa e 1 Híbrido, com base em propostas enviadas pelos gestores que já atuassem no mercado de ETFs locais. Cada gestora poderia submeter até 3 produtos, as quais seriam avaliadas por vários critérios qualitativos e quantitativos:
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- Equipe do Fundo e Avaliação do Gestor: peso de 10%.
- Benefícios e Importância do Investimento: peso de 40%.
- Estratégia e Governança: peso de 20%.
- Estrutura de Custos: peso de 30%.
Foram 32 propostas avaliadas, de diversas gestoras, para a seleção das 5 ganhadoras e as 3 subsequentes, que serão contempladas caso alguma das 5 primeiras não atenda aos critérios da diligência a ser feita pelo BNDES. Foram selecionados produtos de 6 gestoras diferentes: 3 da XP Asset Management, 1 da Galápagos, 1 da Blackrock, 1 do BTG, 1 do Bradesco e 1 do Itaú. Os ETFs, ordenados pela classificação, foram os seguintes:
- 1º lugar – TREND ETF IDEX INFRA TOP LIQUIDEZ FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: XP Allocation Asset Management
- 2º lugar – GALAPAGOS TEVA AÇÕES ENERGIA LIMPA FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: Galapagos Capital
- 3º lugar – iShares Índice Carbono Eficiente
Gestor: BlackRock
- 4º lugar – BTG PACTUAL TEVA INFRAESTRUTURA HÍBRIDO FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: BTG Pactual Asset Management
- 5º lugar – B-INDEX ETF BRASIL SETORES ESTRATÉGICOS
Gestor: Bradesco Asset Management
- 6º lugar – IT NOW PIBB IBRX-50 FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: Itaú Unibanco Asset Management
- 7º lugar – TREND ETF INFRAESTRUTURA ESG FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: XP Allocation Asset Management
- 8º lugar – TREND ETF ESG 80/20 FUNDO DE ÍNDICE
Gestor: XP Allocation Asset Management
Fonte: BNDES
Por que isso é importante para o investidor?
Uma das principais qualidades dos ETFs é a democratização de acesso. Uma vez listado em bolsa, o ETF se torna acessível a todos os investidores, institucionais e pessoas físicas, nas mesmas condições de custo. Ou seja, o investidor de varejo consegue se beneficiar tanto do processo de seleção qualitativo feito pelo BNDES como da estrutura de custos dos produtos, que tende a ser mais baixa que a média do mercado.
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Para os investidores institucionais, tanto a seleção feita pelo BNDES como os próprios aportes apresentam grandes vantagens. Processos de diligência de gestores e produtos demandam tempo e esforço por parte destes investidores. A seleção do BNDES pode ser vista como um substituto desses processos ou ao menos uma pré-seleção, simplificando os processos internos. Além disso, a legislação das Entidades Fechadas de Previdência Complementar limite a exposição destas a 25% do patrimônio de um ETF. Com os aportes do BNDES, esses ETFs tendem a atingir mais rápido um tamanho que justifique o investimento por parte deste tipo de investidor.
E qual o impacto para o mercado de ETFs?
Do ponto de vista de demanda, apesar de ser menos de 1% do patrimônio atualmente alocado em ETFs, o investimento do BNDESPAR nesses veículos pode servir de catalizador para a entrada de outros investidores institucionais. A seleção pode ter o efeito de um selo de qualidade, que estimule a demanda por estes ETFs.
Investidores pessoa física, que hoje são cerca de 800.000 em ETFs, também podem ser impactados pelo processo. Isto porque parte dos critérios de seleção se referia aos esforços de distribuição dos gestores, que devem atingir todos os segmentos, incluindo o varejo.
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Na ótica da oferta, 6 dos 8 ETFs selecionados são produtos novos, que devem vir a mercado nos próximos meses, ampliando o leque de alternativas disponíveis para os investidores. Serão várias teses interessantes, cobrindo ativos de crédito privado, renda variável e híbridos.
Deste modo, o R$1 bilhão de investimento do BNDES deve ter um efeito multiplicador, que supere em muito esse valor e pode ajudar ainda mais no desenvolvimento e democratização do mercado de ETFs.