4 regras básicas: meu check-list para investir em IPOs e pensar no futuro

Conheça meus 4 critérios fundamentais

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(Shutterstock)

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Um pequeno disclaimer antes de começar: nada do que eu comentar aqui deve ser considerado sugestão de investimento, e você deve sempre ter em mente que resultados passados não são garantia de resultados futuros.

Se você está a fim de tomar decisões consistentemente bem-sucedidas sobre dinheiro, deve olhar para a foto como um todo.

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Um pequeno investimento inicial pode se transformar em algo significativo. Estou falando de empresas que estão para fazer IPO (Initial Public Offering; em português, oferta pública inicial), ou seja, estão para listar suas ações pela primeira vez na bolsa de valores.

Uma observação: quanto mais promissora a empresa, ou mais embrionária, maiores são as chances de você conseguir um grande rendimento no longo prazo. O risco, por outro lado, também costuma ser maior.

Então, o que você faz?

Cegamente joga dinheiro no IPO e espera o melhor?

Claro que não!

É fácil olhar para as oportunidades de investimento e imediatamente assumir que, pelo fato de o potencial ser grande (ao menos é assim que vão tentar vender para você), elas são uma ótima opção para você.

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Mas eu estou aqui para dizer que esse nem sempre é o caso…

Um investidor bem-sucedido sabe que uma boa análise vai muito além dos fatos superficiais. Aqui vai o que eu procuro, minha ckeck-list preferida para avaliar empresas que decidem fazer IPO e também companhias que quero ter em carteira pensando para o longo prazo.

Critério 1: A empresa deve ter um produto que as pessoas amam

Pense sobre a Apple e o iPhone.

A Apple estava à beira do colapso total por volta do final dos anos 90. Era apenas outra empresa de hardware.

Então, a Apple lançou um produto inovador de última geração … o único e inigualável (até então) iPhone.

Sim, eu já fui um amante da Apple, hoje prefiro meu Galaxy S9 da Samsung.

Na época, foi uma transformação mágica que começou como um caso de amor hollywoodiano com os consumidores e que continua até hoje.

Um produto inovador, friendly e exatamente o que as pessoas queriam, apesar de ainda não saberem disso.

Esse é um caminho certo para expandir um negócio exponencialmente.

Estão aí as ações da Apple subindo como um foguete e com retornos de mais de 2.300% desde esse lançamento que mudou a empresa (veja o gráfico abaixo).

Esse retorno equivale a transformar um investimento de R$ 10 mil em R$ 240 mil e um de R$ 100 mil em R$ 2,4 milhões e ter uma bela aposentadoria.

Quando vou investir, preciso ver um produto que poderia ter apelo de massas. Um produto que as pessoas vão usar, falar sobre, amar e manter por um longo tempo.

Eu quero ver alguma coisa com esse potencial de “transformação mágica”.

Critério 2 – A empresa deve resolver um problema real compartilhado por milhões de pessoas

O produto também deve obrigatoriamente resolver um problema que pessoas têm.

Certa vez, vi um despertador de cabeceira que fazia café fresquinho assim que você acordava. Para viciados em café como eu, a ideia parece boa, mas imagina que delícia no meio da noite você dar aquela esbarrada no despertador?

Sim, um belo conceito, mas quantas pessoas iriam substituir ambos os itens (cafeteira da cozinha e o despertador) por um produto que fez as duas coisas ali ao lado da sua cama?

Simplesmente não havia demanda para isso e nunca mais vi.

Outra ideia genial que meu avô, descendente de espanhóis, contava era sobre um português que quis criar um palito de dente de plástico em uma pequena cidade de Portugal.

Quando ele vendeu para todos da cidade, acabou a demanda e ele quebrou (gozador como meu avô é, nunca soube se era piada ou verdade).

Ou seja, se não há demanda, não há lucro; se, se não há lucro, bye bye para sua aposentadoria.

Por outro lado, veja o Walmart: por que é uma empresa tão bem-sucedida em quase todos os lugares?

(O Brasil é exceção, mas o varejo brasileiro é um bicho de 7 cabeças para os gringos, tá aí o Magazine Luiza nadando de braçada no setor, já falo mais sobre isso).

Walmart resolveu um problema partilhado por muitas pessoas: o desejo por produtos de qualidade a preços acessíveis.

Devido à capacidade do Walmart de atender uma demanda REAL, foi capaz de se tornar uma das empresas mais poderosas dos Estados Unidos: faz centenas de bilhões de dólares em vendas a cada ano.

Já no Brasil, a demanda REAL é por produtos de qualidade, preços acessíveis e entrega rápida e grátis.
Esse é o gargalo no varejo no Brasil. Em meio a um sistema de entregas ineficiente, o Magazine Luiza soube contornar o problema e, por isso, é destaque do varejo brasileiro.

Viu como não é simples?

Não adianta só copiar o que é feito nos EUA: uma empresa no Brasil tem que estar preparada para os nossos gargalos.

Critério 3 – A empresa deve ser liderada por uma equipe experiente

Começar um negócio não é fácil, algumas empresas falham, e isso resulta em perda nos seus investimentos. É natural do negócio.

Ter uma empresa que está bem administrada por uma equipe experiente pode fazê-la decolar ou quebrar.

Pense nisso: construir um negócio a centenas de milhões em vendas é difícil!

E é por isso que investir em empresas lideradas por pessoas que já tenham feito isso antes ou têm acesso a consultores experientes que podem ajudá-los é fundamental.

A tentação de colocar seu suado dinheiro em todo IPO é enorme. Mas, ao fazer isso, você está assumindo um risco.

Se o IPO funciona, com certeza você vai estar ganhando dinheiro, mas, se isso não acontecer, você estará em apuros.

Quando coloco meu dinheiro na reta (#skininthegame), quero ser sócio de um talento em idéias e/ou gestão…

Não importa se é um gestor de excelência como são Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Eduardo Sicupira, ou se é um garoto jovem com uma ideia inovadora.

Quero alguém que conhece o negócio tão profundamente que me deixe seguro de que há experiência na equipe.

Critério 4: A empresa deve ter uma vantagem real sobre a concorrência

O critério final pode ser o mais importante de todos. É o que o investidor Warren Buffett chama de “fosso”, uma vantagem competitiva verdadeiramente única.

É uma vantagem que protege um negócio e faz com que seja difícil copiá-lo.

Como exemplo, pense sobre Marvel Studios, que é de propriedade da Disney. Ninguém, ninguém mesmo, vai fazer filmes de super-herói tão grandes e tão caros para competir com o mais recente filme da Marvel.

A empresa detém os direitos sobre as histórias, os personagens, a comercialização, o nome. Nenhuma outra empresa na Terra vai lançar um filme de super-herói que capaz de competir com os da Marvel.

A vantagem econômica pode vir em diferentes formatos e formas: às vezes, é uma patente exclusiva; às vezes, é um processo de produção ou direito legal a um nome ou um material específico.

Ou, simplesmente, a vantagem podem ser clientes fanáticos pelos seus produtos como no caso da Apple.

Juntando tudo isso nos IPOs no Brasil

Não é simples encontrar um OK em todos os 4 itens acima. Cumprir dois dos quatro critérios não é bom: muito pode dar errado.

Três pode funcionar, mas prefiro ficar de fora: só olho para um IPO se a empresa consegue obter um OK nos 4 pontos de verificação.

Quantos dos últimos IPOs ou tentativas de IPOs merecem 4 pontos na nossa lista de verificação?

– VAMOS Locação
– Centauro (CNTO3)
– C&A (CEAB3)
– Banco BMG (BMGB4)
– Banco Inter (BIDI11)
– Hapvida (HAPV3)
– Notre Dame Intermédica (GNDI3)
– Ri Happy Brinquedos
– Blau Farmaceutica
– Neoenergia (NEOE3)
– BR Distribuidora (BRDT3)
– Tivit Tecnologia
– Carrefour (CRFB3)

Agora olhe a sua carteira de ações atuais e faça o mesmo exercício. Nos próximos anos, MUITOS negócios serão disruptados.

Será que você é sócio de uma empresa que poderá ir a falência?

Está na hora de rever seu portfólio, e pensar no futuro das companhias em que investe.

Um grande abraço e até a próxima semana.

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Jonathan Camargo

Sócio Fundador da New York Capital, empresa de assessoria de investimentos afiliada à XP Investimentos com foco em investidores de elevado patrimônio e empresas de participações com alta disponibilidade líquida para investimentos. Co-Autor do blog e curso de investimentos “O Investidor Milionário”. Formado em Administração de Empresas, com formação em Administração Financeira pelo Insper e Gestão de Investimentos pela Universidade de Genebra