A apresentação que mostra porque o call do urânio é uma grande oportunidade

Saí da apresentação ainda mais convencido de que o call de urânio é a maior oportunidade de investimento que já vi

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Essa semana tivemos o Kazatomprom Capital Markets Day, em Londres. O Capital Markets Day é uma apresentação formal da empresa, na qual estão presentes os principais executivos, além de vários analistas e investidores.

Após uma apresentação bem detalhada da empresa e da estratégia, teve início a parte mais interessante, a sessão de perguntas e respostas. Os analistas não pouparam os executivos de perguntas difíceis, que as responderam diretamente, sem rodeios. O vídeo da apresentação pode ser visto aqui.

Riaz Rizvi, um dos executivos presentes e co-chair do Fuel Report da World Nuclear Association, respondeu a maior parte das perguntas. Um dos pontos abordados em sua fala foi a inelasticidade do preço do urânio, ou seja, os compradores finais não se preocupam com o preço a ser pago, sendo muito mais importante para eles que o material seja entregue na data e nas especificações necessárias e acordadas.

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Suas observações, que não são novidades para os leitores desse blog, afinal, já venho dizendo as mesmas coisas há algum tempo e em diversas ocasiões, foram bem incisivas. Ele salientou o fato de o custo do urânio ser muito pouco representativo na composição dos custos totais de geração de cada MWh de um reator, além de não ter um substituto.

Riaz também mencionou que os compradores não têm nenhuma recompensa por serem agressivos e tentarem encontrar o fundo do poço e comprar urânio mais barato – aliás, muito pelo contrário, eles podem ser penalizados se tentarem e não estiverem certos. Isso ajuda a explicar o porquê dos compradores não terem ido às compras às pressas.

Riaz disse que não há interesse por parte da Kazatomprom em celebrar contratos de longo-prazo agora, já que eles também esperam que os preços reajam em breve e voltem a subir. Desde que a companhia abriu capital nas bolsas de Astana e Londres, ela tem se comprometido com as margens e com a lucratividade do negócio, em vez de focar exclusivamente no volume de produção. Não é à toa que ela cortou em 20% a produção do perído de 2018 a 2021, conforme guidances divulgados e que ela vem seguindo à risca.

Com relação à oferta da commodity no mercado, Riaz disse que não espera que algumas minas, que atualmente estão em manutenção (care & maintenance), voltem a produzir. Também disse que mesmo que a Kazatomprom voltasse a produzir com capacidade máxima e a Cameco reativasse a mina de McArthur River (a maior do mundo), isso não será suficiente para suprir a demanda de urânio nos próximos anos. Nesse momento, o CEO da empresa, Galymzhan Pirmatov, pediu a palavra e reforçou que a empresa não tem plano algum de aumentar a produção, muito pelo contrário.

Riaz então aproveitou para dar um “aviso” às utilities, que são as compradoras finais de urânio, quando disse que leva-se cerca de 10 anos para que um depósito se torne mina e comece a produzir. Ele acredita que os compradores e as mineradoras deveriam sentar-se à mesa para discutir uma solução o quanto antes. Além disso, ele mencionou que 3 ou 4 minas muito grandes devem ser exauridas até 2025, apertando ainda mais o déficit no setor.

Por último, Riaz falou sobre underfeeding, talvez o maior ponto de dúvida do momento, que se refere a um aumento da capacidade dos enriquecedores de produzirem urânio enriquecido a partir de uma menor quantidade de U308, devido a uma atípica ociosidade das centrífugas. Segundo ele acredita, esse fenômeno está diminuindo e deve desaparecer nos próximos anos, fator esse que equivaleria numericamente à desativação de uma grande mina.

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A apresentação foi bastante elucidativa e, juntamente com as da Cameco, é algo imperdível no setor. Saí da apresentação ainda mais convencido de que o call de urânio é a maior oportunidade de investimento que já vi.

Disclaimer: Esse texto reflete a opinião do autor e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao investidor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar.

O autor detém e negocia ativos ligados ao assunto abordado em sua carteira proprietária e/ou na de clientes sob sua gestão remunerada.

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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