Transformação digital 101: os primeiros passos para entendê-la

Tema que já era relevante ganhou ainda mais destaque após a Covid-19. Compreendê-la e executa-lá da forma correta tornou-se questão de sobrevivência para muitas empresas

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Por Eduardo Miki Watanabe*

Transformação digital é um dos termos do momento. De acordo com o International Data Corporation (IDC), o investimento global em transformação digital chegará a US$ 2,3 trilhões em 2023, representando mais de 50% do gasto total com tecnologia da informação.

Definimos transformação digital como o processo de utilização de tecnologias digitais para criar (ou modificar) processos de negócio, cultura, experiência e interações para satisfazer as necessidades dos clientes e do mercado. Não entendeu? Fique tranquilo! Esse é exatamente o objetivo deste artigo.

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Mas, antes de falarmos sobre a transformação digital, suas implicações e desafios, é preciso entender como saímos de um mundo de lápis e papel para um mundo das tecnologias digitais, em constante mudança.

A trajetória do analógico para o digital

Até pouco tempo atrás, vivíamos no mundo analógico: contratos eram assinados no papel, livros-razão eram feitos à mão e documentos, lentamente datilografados: éramos escravos do papel. Havia pilhas de papel sobre as mesas dos executivos, cópias jogadas no fax, etc.

Com a chegada do computador, houve a digitização: migramos do mundo analógico para o digital. Em outras palavras, transformamos documentos em registros que poderiam ser processados e interpretados por computadores A digitização por si só não traz grandes benefícios, porém ela permitiu compartilhar registros de forma muito mais fácil, sendo fonte de ganhos de produtividade.

A terceira fase do processo foi a digitalização: os processos de negócio e os sistemas foram otimizados com a migração de informações analógicas para digitalizadas, aumentando a produtividade e a eficiência operacional. Um exemplo seria a área de atendimento: call centers ganharam muito com a digitalização no registro e busca de solicitações de clientes. No entanto, ela não produziu novos modelos de negócio: no caso dos call centers, não houve transformação na forma de operar para resolver os problemas dos clientes.

Por fim, veio a transformação digital: quando novos modelos de negócio são criados para entregar mais valor ao cliente. Com os avanços tecnológicos no processamento e armazenamento de dados, combinados com a expansão no tráfego de dados via internet, as empresas são capazes de analisar esses dados não somente para melhorar sua eficiência operacional, como também para criar produtos e serviços que satisfaçam seus clientes.

Casos de sucesso na transformação digital

Iniciativas de transformação digital prometem ganhos de eficiência operacional e aumento de receita. Porém, é sempre bom buscar inspiração nos casos de sucesso. Separamos dois:

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Netflix:

A Netflix é a empresa que está liderando a transformação digital globalmente. Iniciando suas operações em 1997 no serviço de entrega de DVDs, passou por uma série transformações digitais.

A primeira foi a criação do sistema de recomendação de filmes, que surgiu como alternativa para suavizar as demandas por lançamentos de DVDs e que hoje é amplamente utilizada personalizar o conteúdo para cada usuário.

Sua outra grande transformação digital foi a criação do serviço de streaming em 2007, o que permitiu à Netflix gerar um grande volume de dados sobre filmes, que hoje integra e define que conteúdos serão produzidos internamente.

Walmart:

O Walmart é o caso de sucesso clássico de transformação digital. Em 2018, a empresa investiu US$ 11.7 bilhões em tecnologia, tornando-se a terceira maior empresa em investimento de TI, atrás apenas da Amazon e Alphabet).

Os investimentos vão muito além do comércio eletrônico: robôs escaneiam as gôndolas de 350 lojas com o objetivo de evitar a falta de produtos nas prateleiras e aumentar a previsão da demanda futura por produtos.

O Walmart também tem explorado tecnologias de blockchain. Em parceria com a IBM Food Trust, a tecnologia visa garantir a qualidade e a segurança dos alimentos. Por fim, é possível acompanhar a visão de futuro do varejo com a utilização de IA (inteligência artificial) no novo laboratório criado pelo Walmart (IRL – Intelligent Retail Lab).

Fatores-chave para uma transformação digital de sucesso

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Agora que já sabemos mais sobre ela, talvez você esteja inspirado a implantá-la na sua empresa. Mas, por onde começar? Citamos abaixo três fatores de sucesso mencionados por empresas que já deram os primeiros passos no caminho da transformação digital:

  1. Defina a visão e as prioridades. Um projeto de sucesso sempre inicia pelo fim – quais são os seus objetivos? Para gerar ideias, acompanhe os casos de sucesso, as tendências de sua indústria e o comportamento do mercado. Após definir seus objetivos, monte um planejamento com propostas claras de geração de valor. Não deixe de considerar os ganhos rápidos, pois são essas pequenas vitórias iniciais que geram argumento para que investimentos maiores possam ser patrocinados pela empresa.
  2. Invista em talento. Foque líderes e equipe na transformação digital, a fim de garantir o comprometimento do tempo e capital da empresa nessa estratégia. É essencial ter um CDO (chefe de operações digitais) e um CAO (chefe de análise de dados) se a empresa quiser ter sucesso na era digital.
  3. Adote formas ágeis de trabalho. Em um mundo em que as mudanças ocorrem cada vez mais rapidamente, é fundamental adotar uma metodologia de trabalho ágil. A metodologia ágil oferece mais rapidez, eficiência e flexibilidade, permitindo que ideias sejam testadas rapidamente, e que mudanças de prioridade sejam facilmente acomodadas pela equipe da transformação digital.

Se, anos atrás, era muito difícil imaginar que uma empresa com um excelente produto e marketing fosse ser batida por uma entrante no mercado, mais jovem e digital, hoje em dia não mais. Na era digital, o mundo dos negócios está mudando e evoluindo cada vez mais rápido. Sua empresa está preparada?

*Eduardo Miki Watanabe é associado do IFL-SP. Graduado em engenharia mecânica pela Poli-USP e com MBA pela Tuck School of Business, Eduardo iniciou sua carreira em consultoria e atualmente atua como gerente de Inteligência Artificial e Analytics na QMC Telecom  

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